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Vaga de estágio em escritório de advocacia inclui requisito de ‘experiência com relacionamento abusivo’
Publicação viralizou na última semana, e advogado responsável pelo anúncio se defendeu em vídeo postado nas redes sociais: 'Tenho orgulho'
Por g1 | Tempo de leitura: 3 min
(Reprodução)

Um anúncio de vaga em um escritório de advocacia de São Paulo viralizou nas redes sociais na última semana por conter entre os requisitos ter tido experiência com relacionamento abusivo.

A publicação foi feita, inicialmente, em um grupo fechado do Facebook, que reúne oportunidades de emprego na área do direito. Mais tarde, um usuário do X (antigo Twitter) compartilhou a vaga em um post que já soma mais de 73 mil curtidas.

Diante da situação, o advogado Artur Capano – responsável pelo escritório que compartilhou a oportunidade – se manifestou nas redes sociais.

No vídeo, ele explica que não desejava um candidato com experiência profissional na área, mas sim, alguém que tivesse passado por isso no âmbito pessoal.

Capano diz ainda que se sente orgulhoso de ter pedido esse requisito, pois a experiência desse advogado vai auxiliar no atendimento “humanizado” oferecido pelo escritório.

“Como [o escritório] é especializado em casos envolvendo narcisistas, a gente precisa dar um apoio emocional para a pessoa”, afirma. “A gente precisa ser mais delicado, a gente precisa ser mais emocional, a gente precisa ser mais acolhedor. E só quem já viveu um relacionamento abusivo na pele pode dar isso.”


Capano também compartilhou em seu perfil, que já soma mais de 21 mil seguidores, que a vaga chegou a receber 400 currículos.

Ao g1, o advogado afirmou que o requisito era desejável, mas não obrigatório, e que o candidato só precisava contar a sua história de abuso se se sentisse confortável.

“O que eu pretendo com essa preferência é que o candidato saiba lidar com pessoas que já passaram por uma situação similar, mas não precisa me falar o que foi exatamente, até porque isso pode acabar revitimizando a pessoa”, disse.

“Aqui no escritório, eu atendo pessoas que foram vítimas de pessoas com TPN [Transtorno de Personalidade Narcisista], e esse perfil de cliente exige uma abordagem mais sensível e acolhedora. Quem foi vítima de narcisista se acostumou a ser invisibilizado e não ter os desejos atendidos. Quando se depara com um profissional que pratica a escuta ativa, essa pessoa se sente em casa. Quem não passou por um relacionamento abusivo, acaba sendo muito ‘seco’ com o cliente e não gera a identificação que eu busco no atendimento”, relatou.

Por fim, Capano afirmou que já contratou um profissional para a vaga e que está muito feliz com a contratação.

Edson Alves da Silva, membro da Comissão do Direito de Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), explicou que a criação de vagas de emprego voltadas exclusivamente para um determinado grupo ou perfil, “sem qualquer correlação lógica com as atividades, em regra, é vedada em razão da configuração de discriminação e violação ao princípio da igualdade”.

Mas destacou que o “princípio da igualdade deve ser interpretado sopesando as diferenças”. “O anúncio de vagas voltadas exclusivamente às minorias ou para atender uma parcela da população em situação de vulnerabilidade não constitui qualquer violação às normas e princípios vigente, ao revés, prestigia a equidade e garante a inclusão e acolhimento dos que mais precisam”, afirmou.

“Embora a priori a redação do anúncio da vaga possa não ter sido a mais adequada, será importante entender a finalidade da exigência desse requisito como fator determinante para sua validade. Logo, se de fato a finalidade foi a de inclusão e acolhimento, somado ao melhor atendimento e compreensão das pessoas em situação semelhante, não estará caracterizado nenhum tipo de ilicitude.”

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