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Trabalhar em pé é nova tendência entre empresas de tecnologia

Folha

Não adianta ir para a academia depois do trabalho. Pesquisas apontam que a atividade física fora do expediente não compensa os problemas à saúde causados por longos períodos sentado.

“Não importa se você é um atleta. Se está com as pernas para baixo, há um aumento de pressão nas veias que pode levar a uma trombose”, diz Nelson Wolosker, especialista em cirurgia vascular do hospital Albert Einstein.

A posição também causa alterações na postura, problemas lombares, musculares e cervicais, diz Francisco Lacaz, professor de medicina do trabalho na Unifesp.

Pesquisa de 2010 da Sociedade Americana do Câncer ainda mostrou que ficar sentado por seis horas ou mais aumenta em 20% a mortalidade entre homens, em comparação com aqueles que ficam na posição três horas ou menos. Entre mulheres, a mortalidade cresce 40%.

“Sentar-se virou o fumar da nossa geração”, resumiu a ex-executiva da Apple Nilofer Merchant durante uma palestra “TED Talk”.

A frase, repetida por ela, tornou-se nos últimos anos uma espécie de mantra no Vale do Silício, maior polo tecnológico dos EUA.

Para reduzir danos, Lacaz recomenda que a cada hora sentada, a pessoa faça dez minutos de atividade física –desde uma caminhada no escritório a uma ginástica leve.

Uma solução mais radical é abolir a cadeira. As “standing desks” são mesas com regulagem de altura, que permitem trabalhar em pé.

Desde 2012, o Facebook oferece o equipamento para todos os seus funcionários. No escritório brasileiro, cerca de 20 pessoas o usam.

O diretor de comunicação Esteban Israel, 44, diz que o mais difícil no começo era superar o incômodo da posição. Há cinco meses, ele passa a maior parte do dia em pé. Entre os benefícios, ele destaca movimentar-se e interagir mais com os colegas.

As mesas foram encomendadas na Voko, fabricante de mobiliário de escritório. Dependendo da regulagem (mecânica ou elétrica) e da dimensão, o valor unitário varia de R$ 2.500 a R$ 8.000.

Adriana Neri, gerente comercial da empresa, diz que atendeu a dez pedidos de mesas reguláveis nos últimos três anos, entre eles do Google, LinkedIn e Petrobras.

O número mostra como esse mercado é reduzido no país.

Na Movile, dona de apps como o iFood, as mesas foram introduzidas há três anos, e são utilizadas em rodízio entre os funcionários.

Sandra Ferreira, da área de RH da empresa, diz que foi preciso encomendar mesas, porque não encontrou modelos disponíveis no Brasil.

O vice-presidente Paulo Curio (foto), 42, trabalha em pé há um ano. Além dos benefícios à saúde, gostou da ideia porque consegue ficar na altura dos colegas que vêm à sua mesa. Antes, ficava em uma posição “de baixo para cima” que o incomodava, conta.

“As primeiras semanas são mais complicadas, a batata da perna queima”, diz. Segundo ele, 60% dos colegas que tentaram adotar a prática não conseguiram.

Curio afirma que trabalhar em pé faz com que ele se desloque mais e ainda diz que sua atenção e produtividade melhoram.

O médico Lacaz, da Unifesp, alerta para que interessados na prática não façam “gambiarras”, como empilhar livros para apoiar o computador. “É preciso ter cuidado com a adaptação ergonômica desses equipamentos.”

Movimente-se

O problema não é ficar sentado, mas sim permanecer em uma mesma posição por horas seguidas, dizem médicos ouvidos por nós.

Trabalhar em pé durante muito tempo pode causar problemas vasculares, como varizes, e de articulação nas pernas, além de sobrecarregar os músculos, levando a uma tendinite, alerta o médico Mario Lenza, ortopedista do hospital Albert Einstein.

Ele ainda ressalta que a posição exige o uso de calçados adequados –o uso de salto alto, por exemplo, é problemático. “Tem que ter bastante bom senso em relação a essa mudança de hábito.”

A recomendação dos médicos é movimentar-se, independentemente da posição.

O ideal é que, a cada hora de trabalho –seja em pé ou sentada– a pessoa, no mínimo, ande. “A cada passo que você dá, você massageia as veias da panturrilha e faz com o que sangue flua”, explica Nelson Wolosker, especialista em cirurgia vascular do hospital Albert Einstein.

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