🚑 convênio: o novo crush corporativo

Plano de saúde segue entre os benefícios mais valorizados pelos profissionais

Com custos médicos em alta, empresas buscam equilibrar valorização do benefício e sustentabilidade financeira
ambulancia
(Imagem gerada por IA)

Por Trainee

O plano de saúde segue entre os benefícios mais valorizados pelos profissionais brasileiros e tem ganhado ainda mais peso na hora de aceitar uma proposta de emprego ou permanecer em uma empresa. Em um cenário de aumento dos custos médicos, maior preocupação com saúde mental e busca por segurança familiar, a assistência médica corporativa deixou de ser vista apenas como um complemento e passou a ocupar papel estratégico nos pacotes de remuneração.

Para muitos trabalhadores, o benefício representa previsibilidade e proteção diante de despesas que podem comprometer o orçamento familiar. Consultas, exames, tratamentos, terapias e atendimentos de urgência fazem com que o plano de saúde seja percebido como um diferencial concreto, especialmente para profissionais com dependentes ou histórico de uso frequente de serviços médicos. Em muitos casos, a qualidade do convênio pode pesar tanto quanto o salário na decisão sobre uma vaga.

Dados recentes mostram que esse benefício também está entre os mais complexos para as empresas. Segundo levantamento da Acrisure Brasil, em 2020, 41% das empresas dividiam parte da mensalidade do plano de saúde com os funcionários. Em 2025, esse percentual subiu para 48%. No mesmo período, o subsídio médio pago pelas empresas caiu de 71% para 60%, indicando que as organizações têm buscado formas de manter o benefício sem comprometer totalmente o orçamento de RH.

A coparticipação também ganhou espaço nos contratos empresariais. Dados da Pipo Saúde apontam que a presença desse modelo passou de 64% para 78% das empresas entre 2024 e 2025. Na prática, isso significa que o trabalhador paga um valor adicional quando utiliza determinados serviços do plano, como consultas, exames ou procedimentos. A medida tem sido adotada como uma tentativa de controlar custos e estimular o uso mais consciente da assistência médica.

Apesar disso, o avanço da coparticipação exige atenção. Uma pesquisa da Pipo Saúde com mais de 3 mil trabalhadores mostrou que seis em cada dez profissionais pensam duas vezes antes de usar o plano de saúde por causa da cobrança adicional. Entre cargos de entrada e analistas, esse índice chega a 71,3%, o que acende um alerta para as empresas sobre o risco de o benefício perder parte de sua função preventiva.

Esse ponto é importante porque o plano de saúde não deve ser tratado apenas como custo, mas como ferramenta de cuidado, retenção e produtividade. Quando o colaborador evita buscar atendimento por receio de desconto, problemas simples podem se agravar, aumentando o risco de afastamentos, queda de desempenho e custos ainda maiores no futuro. Por isso, empresas que oferecem o benefício precisam equilibrar sustentabilidade financeira com acesso real ao cuidado.

Para os RHs, o desafio está em manter o plano atrativo mesmo diante da pressão dos reajustes. Isso passa por negociar contratos com mais inteligência, analisar o perfil de uso dos colaboradores, investir em programas de prevenção, comunicar com clareza as regras de coparticipação e orientar os funcionários sobre utilização consciente. Quanto mais transparente for a política de benefícios, maior tende a ser a percepção de valor por parte das equipes.

Diante desse cenário, o plano de saúde continua sendo um dos principais diferenciais competitivos das empresas na atração e retenção de talentos. A diferença é que, agora, não basta apenas oferecer o benefício: é preciso garantir que ele seja compreendido, acessível e realmente útil para os trabalhadores. Em um mercado cada vez mais atento ao bem-estar, saúde deixou de ser apenas uma despesa corporativa e passou a ser parte essencial da estratégia de gestão de pessoas.