🎓 JUIZ SUGERIU, ELE TOPOU

Pedreiro que fez a própria defesa no TRT-11 ganha bolsa integral de Direito

Edilson Takahara estudou CLT por conta própria para provar vínculo empregatício, impressionou magistrados no Amazonas e agora vai estudar Direito à noite em Manaus
(Reprodução: TRT-11)

Por Trainee

Enquanto muita gente contrata advogado até pra resolver problema pequeno, o pedreiro Edilson Takahara foi sozinho até o tribunal defender os próprios direitos trabalhistas — e saiu de lá com elogio de magistrado e, dias depois, uma bolsa integral de faculdade nas mãos.

Edilson ganhou repercussão ao comparecer pessoalmente ao Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), no Amazonas, para fazer sua própria sustentação oral num processo em que buscava o reconhecimento de vínculo empregatício com uma empresa para a qual trabalhou numa obra em Manaus.

O caso em números

Da sustentação oral à bolsa de estudos.

100%

bolsa integral concedida

11ª

Região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-11)

0

advogados contratados pra sustentação

Noturno

período das aulas de Direito

Para fazer a própria defesa, Edilson estudou por conta própria aspectos básicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e analisou detalhadamente o próprio processo. Durante a sessão, apresentou argumentos contra a tese da empresa, que alegava que ele teria atuado como trabalhador autônomo — não como empregado com vínculo formal.

A fala chamou a atenção dos magistrados presentes. O relator do processo, juiz convocado Sandro Nahmias Melo, elogiou a organização dos argumentos e brincou que o pedreiro poderia mudar de profissão: “pode mudar de profissão porque a lógica de argumentos acaba sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido”, afirmou o magistrado. Outro integrante da sessão também destacou a capacidade demonstrada por Edilson e a importância simbólica de um cidadão comum conseguir defender pessoalmente os próprios interesses perante a Justiça.

Da sustentação à sala de aula

Como a repercussão virou oportunidade real.

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Ao g1, o pedreiro contou que foi ao encontro com a faculdade sem imaginar que a conversa resultaria numa oportunidade de formação na área jurídica: “jamais imaginava que pudesse inspirar alguém”, disse, aos risos, ao relembrar o convite.

Curiosamente, cursar Direito nunca foi um sonho de Edilson — ele chegou a pensar em recusar o convite. O que mudou de ideia foi descobrir que a formação jurídica abre portas além da advocacia tradicional: “antes eu não queria, porque ainda tinha um pensamento fechado, imaginando que o curso de Direito era voltado para a advocacia”, contou. Antes disso, ele já havia concluído o Ensino Médio, feito um curso técnico em Nutrição e cursos a distância para mestre de obras e agropecuária — ou seja, gosto por estudar não faltava, só faltava a formação certa aparecer no radar.

Com a bolsa garantida, o desafio agora é logístico: conciliar o trabalho que já exerce durante o dia com as aulas de Direito, que acontecem no período noturno. “a princípio eu preciso reorganizar o meu dia a dia e tentar conciliar o trabalho que eu já faço com o estudo”, explicou. Segundo ele, a repercussão inesperada ainda está sendo digerida aos poucos — mas a expectativa é de que mais oportunidades positivas continuem surgindo à medida que essa nova rotina se organiza.

A história de Edilson ilustra, na prática, um direito que muita gente desconhece: qualquer trabalhador pode comparecer pessoalmente a uma audiência trabalhista e apresentar seus próprios argumentos, mesmo sem advogado constituído. Não é o caminho recomendado para processos complexos — o conhecimento técnico de um advogado continua fazendo diferença real no resultado —, mas o caso mostra que entender os próprios direitos, mesmo que de forma autodidata, pode mudar o rumo de uma disputa trabalhista. Para quem enfrenta uma situação parecida, vale o aprendizado mínimo: reunir provas de subordinação, horário fixo e exclusividade são alguns dos elementos centrais para caracterizar vínculo empregatício frente à alegação de “trabalho autônomo” — exatamente o ponto que Edilson teve que argumentar sozinho, e que agora vai aprender a fundo, dessa vez sentado numa sala de aula.