🧠 TENDÊNCIA MUNDIAL

Natura cria método para medir impacto do bem-estar nos negócios

Em parceria com a Universidade de Oxford, a companhia de beleza será a primeira da América Latina a aplicar a metodologia científica que conecta saúde mental, propósito e performance corporativa
natura-paula
(Divulgação: Natura)

Por Exame

A Natura deu um novo passo em sua jornada de bem-estar e liderança regenerativa. A companhia anunciou uma parceria com o pesquisador Jan-Emmanuel De Neve, da Universidade de Oxford, referência mundial em felicidade e bem-estar corporativo, para desenvolver um índice que mede o impacto do bem-estar dos funcionários nos resultados do negócio.

A metodologia será aplicada inicialmente no Brasil, México e Argentina, com apoio da startup MindDash, e é a primeira do tipo na América Latina.

“Queríamos transformar o propósito do bem-estar bem em ciência”, afirma Paula Benevides, vice-presidente de Pessoas, Cultura e Organização da Natura.

A busca pela metodologia, segundo Benevides, buscava não apenas olhar o bem-estar sob a ótica individual, mas correlacionar o ambiente organizacional e as condições de trabalho à performance do negócio.

De Oxford à América Latina

A parceria com Oxford não é nova – a Natura já mantinha diálogo com pesquisadores da universidade em temas ligados à regeneração. Mas, segundo Benevides, a ideia de construir um modelo que correlacionasse o bem-estar com resultados financeiros nasceu há poucos meses.

O método desenvolvido por De Neve é amplamente utilizado por companhias como Lego, HSBC e Indeed na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, esta será a primeira vez que a metodologia será adaptada à realidade socioeconômica e cultural da América Latina.

“Os estudos globais são robustos, mas não capturam nuances regionais”, diz Benevides. “Aqui, questões como segurança psicológica, flexibilidade e autonomia têm pesos diferentes dependendo da função e da região. Faltava um olhar latino para esses dados.”

O que será medido?

O índice da Natura analisará 6 grandes dimensões do bem-estar:

  • Mental: equilíbrio emocional e saúde psicológica;
  • Física: vitalidade e energia para o trabalho;
  • Social: qualidade das relações e senso de pertencimento;
  • Ambiental: harmonia com o espaço físico e o ecossistema;
  • Econômico-financeira: autonomia e organização financeira;
  • Propósito: conexão entre o indivíduo, o negócio e o impacto positivo.

A base de dados que sustentará o projeto é extensa. “Temos pesquisas de engajamento, índices de afastamento, dados psicossociais e de saúde. A primeira fase consiste em analisar tudo o que já temos antes de novas pesquisas”, diz a executiva.

Os primeiros resultados devem ser divulgados no segundo semestre de 2026, após um ciclo de testes, correlações e grupos focais conduzidos por Oxford e pela equipe de RH da companhia.

De propósito à ciência

O projeto está alinhado à Visão 2050 da Natura, que reforça o conceito de liderança regenerativa – um modelo que busca gerar prosperidade para o todo, e não apenas reduzir danos.

“As empresas costumam colocar o peso do bem-estar sobre o indivíduo: ‘durma bem, se alimente bem’. Nós estamos invertendo essa lógica”, afirma Benevides.

A meta é que o índice se torne um modelo de gestão corporativa, capaz de inspirar outras empresas a quantificarem o retorno de investir no bem-estar das pessoas.

“Há evidências de que companhias que cuidam de bem-estar performam melhor. Quando olhamos o S&P 500, as empresas que priorizam esse tema têm resultados superiores às demais”, afirma a executiva da Natura.