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Mulher relata discriminação em entrevista de emprego e conversa com recrutador repercute na web: ‘Difícil contratar quem tem filhos’
A legislação trabalhista veda toda prática de discriminação em qualquer fase do contrato de trabalho, inclusive na de recrutamento e contratação; veja as regras
Por g1 | Tempo de leitura: 3 min
(Reprodução)

Uma moradora de Cariacica (ES) relatou nas redes sociais que sofreu discriminação durante uma seleção para uma vaga de emprego.

Segundo ela, o recrutador atrasou três horas para começar a entrevista e, quando ela disse que não poderia participar no novo horário, a questionou sobre “a rotina de tantos compromissos de um desempregado” e disse ser “sempre difícil contratar quem tem filhos”.

O diálogo ocorreu em uma conversa pelo WhatsApp no início do mês. Samara Braga, de 32 anos, está desempregada há 2 meses e resolveu compartilhar a situação no LinkedIn, como um alerta para outros profissionais da área. Até esta quarta-feira (13), a publicação recebeu mais de 3,9 mil comentários.

“Aconteceu comigo e estou sem acreditar que exista profissional assim. Não é o tipo de publicação que as recrutadoras gostam de ver no perfil [da rede social], mas é necessário compartilhar”, escreveu.

O recrutador entrou em contato no dia anterior da entrevista e marcou uma conversa on-line sem passar detalhes da vaga, segundo a candidata. Depois, além de não comparecer no horário agendado, ele se recusou a remarcar a entrevista.

“Postei [no LinkedIn] para que outros recrutadores não façam isso. Pensem que do outro lado tem uma pessoa que está desempregada, mas que tem uma rotina. Essa pessoa trabalha de alguma outra forma, em casa, cuidando de um filho, fazendo um extra, fazendo um bico. Então a pessoa não está à toa”, afirma.

O QUE DIZ A LEI – A legislação trabalhista veda toda prática de discriminação em qualquer fase do contrato de trabalho, inclusive na de recrutamento e contratação, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“Critérios como estado de gravidez, situação familiar, entre outros, não podem ser utilizados como fatores que ensejem prejuízos ou desvantagens dos candidatos às vagas de emprego.”

Se ocorrer algum tipo de abuso, uma situação vexatória ou discriminatória, é possível pedir indenização na Justiça por danos morais na área trabalhista, explica a advogada Bianca Martins Juliani, especialista em direito trabalhista do escritório Abe Advogados.

Também é possível fazer denúncia nos canais de ética ou ouvidoria da empresa (veja detalhes abaixo).

Por enquanto, Samara disse ao g1 que não pretende fazer uma denúncia formal sobre o caso. Ela também não informou o nome da empresa ou do recrutador responsável pela mensagem.

Samara disse que o episódio sobre questionamentos envolvendo a carreira e a maternidade não foi isolado. Algumas amigas dela já afirmaram que passaram por situações envolvendo questionamentos sobre os filhos em entrevistas de empregos. Também há comentários na publicação com outros exemplos.

O filho da administradora tem 6 anos e, mesmo em busca de uma oportunidade de emprego na área, ela afirma que é possível equilibrar as funções de mãe com a produção de doces, como bolos e pudins.

“Me senti ofendida, discriminada, humilhada de ter que estar me desdobrando para colocar comida dentro de casa e ainda precisar passar por isso. A mulher precisa ter que se reinventar, ter que empreender a todo momento para poder sobreviver. Um filho não impede uma mulher de trabalhar, pelo contrário, ele é uma motivação.”

Denúncias

Apesar de não ter vínculo com a organização que está tentando uma vaga, o candidato que passar por esse tipo de situação pode buscar os canais internos de denúncia da empresa para reportar o problema.

A Inspeção do Trabalho do MTE tem uma área própria para o enfrentamento dessas práticas, que é a Coordenação Nacional de Combate à Discriminação e Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho, bem como coordenações regionais descentralizadas.

O canal de denúncia é: denuncia.sit@mte.gov.br.

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