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Justiça obriga Loggi a contratar motoboys em regime de CLT

Sentença, de primeira instância, é da 8ª Vara da Justiça do Trabalho de SP; decisão vale para todo o território nacional e fixa pagamento de R$ 30 milhões como 'compensação pecuniária'


A Justiça do Trabalho de São Paulo determinou nesta sexta-feira, 6, a existência de vínculo empregatício entre motoboys e a plataforma de entregas Loggi, que opera por site e por aplicativo.

A decisão, assinada pela juíza Lávia Lacerda Menendez, da 8ª Vara do Trabalho de São Paulo, vale para todo o território nacional. A sentença ocorre após ação civil pública protocolada pelo Ministério Público do Trabalho, em 27 de agosto do ano passado.

O despacho, de primeira instância, determina que a Loggi contrate até maio de 2020, em regime de CLT, todos os condutores cadastrados e que tenham realizados entregas entre outubro e dezembro de 2019. O não cumprimento da decisão acarretará em multa de R$ 10 mil por trabalhador em situação irregular.

A decisão também fixa o pagamento de R$ 30 milhões como “compensação pecuniária”, além de proibir a empresa de realizar contratações de motoristas autônomos e controlar a jornada de trabalho desses profissionais – limitando a jornada a oito horas por dia.

Segundo estimativas do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas do Estado de São Paulo (Sindimoto), a Loggi tem, apenas na capital paulista, 25 mil motoboys cadastrados. “Como a decisão é em nível nacional, não é possível determinar a abrangência da sentença e o volume de motoboys atingidos”, afirma o presidente do sindicato, Gil Almeida Santos.

Segundo o sindicalista, a decisão desta sexta-feira deve impactar em outros processos similares, que correm na Justiça do Trabalho pelo País. “Em janeiro, já temos um outro julgamento do mesmo tipo, após denúncia similar do Ministério Público, que abarca o iFood”, afirma Santos.

Em nota, a Loggi diz lamentar a decisão da Justiça e afirma que vai procurar reverter a sentença em instâncias superiores. A empresa afirma que “continuará gerando renda para milhares de entregadores, clientes e movimentando a economia brasileira”.

Segunda a Loggi, “as novas tecnologias vieram para promover a aproximação de profissionais liberais com pessoas interessadas na contratação, proporcionando maior geração de renda, oferecendo oportunidades que não existiam anteriormente”. Ainda em nota, a empresa diz que tem conversado com as autoridades, com o objetivo de explicar o modelo de negócios que pratica. “Em modelos de negócio que promovem a inovação, é natural que haja dúvidas sobre como eles funcionam. Desde outubro de 2018, a empresa tem dialogado com o Ministério Público do Trabalho e os demais órgãos responsáveis, esclarecendo as dúvidas acerca do funcionamento de sua plataforma”, destaca.

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