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“Jornada de 40 horas é algo ultrapassado”, diz CEO de empresa que adotou semana de 4 dias
A partir de 1º de julho, a fintech mineira Gerencianet adotou a semana de trabalho de 4 dias. Salários nem benefícios foram reduzidos
Por Exame | Tempo de leitura: 2 min
(Gerencianet/Divulgação)

“Jornada de trabalho de cinco dias é algo que remete ao fordismo. Hoje, ganhamos diversas ferramentas para aumentar nossa produtividade, chegou a hora de repensar esse modelo”, diz Evanil Paula, CEO da Gerencianet, fintech mineira de meios de pagamentos.

Mas o executivo não fica só no discurso. Assim como Zee.Dog, a Gerencianet é a mais nova companhia brasileira a adotar uma semana de trabalho 4 dias. A partir de 1º de julho, os 300 funcionários da companhia não trabalham mais às sextas-feiras.

Fundada há 15 anos, segundo a Evanil, a Gerencianet vêm crescendo ano após ano, sem contar com capital externo. Ao todo, são mais de 290 mil clientes cadastrados e, em 2021, R$ 15 bilhões transacionados pela empresa.

“Diferente de outras startups, estamos fora do eixo Rio-São Paulo, então sempre foi difícil conseguir investidores. Desse jeito, tivemos de criar um time enxuto, mas eficiente”, diz.

Ele cita, por exemplo, que mesmo em meio à concorrência crescente de fintechs, a Gerencianet foi uma das primeiras instituições do país a ser homologada para atuar como iniciador de pagamento no ambiente Open Finance. “Criamos uma cultura que propiciou a redução”, afirma.

Então, após acompanhar o movimento internacional de países como Japão, Reino Unido e Islândia, que adotaram jornadas mais curtas e obtiveram sucesso, o empreendedor resolveu importar a prática para a Gerencianet.

Há alguns meses, sentou com o sindicato e atualizou o contrato de todo o time para apenas 32 horas semanais, sem redução de salários ou benefícios. Para que a prática não tenha impacto nos clientes, a Gerencianet organizou escalas e alguns funcionários folgarão na sexta-feira e outros na segunda-feira.

Qualidade de vida

Um dos objetivos principais da companhia é aumentar a qualidade de vida do time, permitindo que eles se dediquem mais à família ou utilizem o tempo-extra para descansar. “Sexta-feira as pessoas, normalmente, já estão mais cansadas e menos produtivas. No final, esse dia, de fato, não fará falta”, diz Evanil.

“Fora isso, com três dias de folga, os profissionais chegarão mais dispostos ao escritório. Algo que é fundamental se pensarmos em evitar estados de esgotamento físico e mental”, completa.

No mercado de tecnologia cada vez mais acirrado, a semana de 4 dias também é uma estratégia de atração da Gerencianet que, só hoje, conta com 70 vagas abertas. “Na semana que os funcionários souberam da iniciativa, ganhamos 10 mil seguidores no Linkedin e nossa base de currículos continua aumentando”, diz Evanil.

A ideia, segundo a companhia, é depois de seis meses avaliar o desempenho da iniciativa. Se os resultados acompanharem as tendências de outros testes semelhantes, serão positivos. No Japão, país que luta contra as altas taxas de horas-extras, a produtividade dos funcionários da Microsoft aumentou 40% com a semana de 4 dias, por exemplo.

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