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Invasão tecnológica no agronegócio gera onda de empregos digitais; veja as profissões em alta
Estudo revela que, até 2023, o setor terá 178,8 mil novas oportunidades de emprego, mas apenas 32,5 mil profissionais disponíveis para preencher essas vagas
Por Exame | Tempo de leitura: 4 min
(Ambev/Divulgação)

O agronegócio brasileiro já é responsável por 1/4 do PIB. Todos os anos, milhões, bilhões e até mesmo trilhões de dólares circulam no setor que mais cresce no país. No entanto, esse cenário nem sempre foi favorável.

Apesar do clima tropical perfeito e do solo fértil e extenso, se voltarmos apenas 60 anos na história do país, veremos que antes de assumir a posição de potência exportadora mundial, o campo brasileiro operava majoritariamente com trabalho braçal, a soja ainda era uma mera curiosidade para os agricultores e muito pouco se sabia sobre manejo de solo e fertilizantes.

A ineficiência era tanta que o país enfrentava, inclusive, períodos de escassez de alimentos.

Mas a partir da década de 1990, o jogo mudou. Através de um intenso processo de modernização, as cadeias produtivas se tornaram mais eficientes, menos custosas e mais rentáveis para os produtores.

Para se ter uma ideia, entre 1975 e 2017, a produção de grãos, que era de 38 milhões de toneladas, cresceu mais de 6x, atingindo 236 milhões, enquanto a área plantada apenas dobrou. Hoje, o país é TOP 1 e TOP 2 mundiais em produção e exportação das principais commodities e um dos principais exportadores de carne bovina do mundo.

Entre o conjunto de fatores que contribuíram para o crescimento exponencial do setor, um se destaca dos demais: a tecnologia.

Revolução tecnológica no agronegócio

Antes de mais nada, é importante entender que o agronegócio não acontece apenas no campo. Apesar de ser um ponto de partida, a cadeia produtiva do agro se estende até o contato do consumidor final com o produto através de processos como: processamento, transporte, embalagem, distribuição etc.

Ou seja, empresas como Ambev (fabricante de bebidas), Souza Cruz (fabricante de cigarros), Suzano (produção de celulose) e Sadia (produtora de alimentos frigoríficos) apesar de não estarem diretamente ligadas com a produção rural, fazem parte do rol de empresas do agronegócio.

No entanto, é justamente no campo que o agro encontra o seu maior gargalo – e é também lá que as tecnologias têm o maior impacto.

‘Boom’ de empregos no agro

A modernização das cadeias produtivas permitiu que o Brasil aumentasse sua produtividade, sem precisar utilizar mais terras para isso, além de diminuir os custos para o produtor e aumentar a previsibilidade da produção. E os avanços tecnológicos seguem em pleno desenvolvimento.

Drones, robôs, telemetria, sensores inteligentes e, até mesmo, inteligência artificial começaram a fazer parte da rotina do campo e novos profissionais passaram a ser extremamente procurados por multinacionais, produtores e startups.

Em grandes fazendas, por exemplo, os gestores em agronegócio digital – profissionais com conhecimento em TI capazes de usar a tecnologia para solucionar problemas do campo – já são indispensáveis; por conta dos custos elevados, para pequenos e médios produtores a contratação de serviço esporádica destes mesmos profissionais se torna mais comum.

Outros profissionais como operadores de drones, designers de máquinas agrícolas e analistas de dados também passaram a encontrar no campo uma oportunidade de crescimento profissional e remunerações generosas.

Não há dúvidas de que todos estão em busca de profissionais com habilidades digitais. No entanto, empresas, produtores e indústria, têm deixado de implantar tecnologias por não encontrar profissionais capacitados.

Para se ter uma ideia, segundo o estudo “Profissões Emergentes na Era Digital”, realizado em 2021 pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) em parceria com o Senai e com a UFRGS, em dois anos oito carreiras do agronegócio iriam gerar 178,8 mil novas oportunidades de emprego, mas haveria apenas 32,5 mil profissionais disponíveis para preencher essas vagas.

Ou seja, haverá um gap de 82% no mercado de trabalho.

Fernando Reis, agrônomo fundador da Gênica e CEO da Agro Advance, é um dos empresários que vive na prática o gap do mercado agro: “Nas indústrias, tanto na Gênica quanto na Nitro, a hora que a gente ia contratar, montar time […] na verdade tinha orçamento e um plano de contratar muita gente, só que a gente nunca conseguiu contratar o tanto de vaga que tinha disponível, porque não tinha profissional.”, explica o empresário.

Para Fernando, que vive o agronegócio desde a infância e acumula mais de 20 anos no setor, a agricultura é o mercado que mais gera dados do planeta: “Todo maquinário gera muita informação, mas não tem ninguém para ler ou estudar esses dados”.

Nesse cenário, aqueles que possuem conhecimento e experiência em tecnologia levam vantagem. “Quem vem de tech, tem alguma vantagem, mas o mercado tem o poder de mudar e dar uma guinada na vida de qualquer pessoa. Se a pessoa se dedicar, o agro remunera muito bem.”, ainda completa Fernando Reis.

Quais as profissões em alta no agronegócio e como se especializar?

Separamos uma lista com as principais profissões em alta no agronegócio, confira:

Operador de drones

  • Habilidades: Manejar aviões não tripulados para monitoramento de plantações e pulverização contra pragas e doenças;
  • Conhecimentos necessários: Drones, aviação, rotas, velocidade, aceleração.

Técnico em agricultura digital

  • Habilidades: Entender de processos do campo e TICs para encontrar soluções práticas na produção rural;
  • Conhecimentos necessários: Agricultura e plantio, recirculação de águas, tecnologias sustentáveis e digitais.

Designer de máquinas agrícolas

  • Habilidades: Buscar soluções sustentáveis para as máquinas agrícolas;
  • Conhecimentos necessários: Desenvolvimento de produto, tecnologias digitais, conhecimento de sustentabilidade e design.

Gestor de agronegócio digital

  • Habilidades: Planejar, administrar e controlar a produção e a comercialização através de ferramentas tecnológicas e inovadoras;
  • Conhecimentos necessários: Gestão de dados, blockchain, inteligência artificial, gestão ambiental, gestão de pessoas.

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