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IBGE: Mais de 9 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos não trabalhavam e nem estudavam em 2023
PNAD Contínua, do IBGE, traz dados sobre os desafios e o avanços do Brasil quando o assunto é educação e oportunidades dos brasileiros no mercado de trabalho
Por Exame | Tempo de leitura: 4 min
(Imagem criada por inteligência artificial)

Mais de 9 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos não estudavam e nem trabalhavam no Brasil no último ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2023 (PNAD).

“A proporção de jovens que não trabalham e também não estudam permanece muito elevada no Brasil, representando 19,8% da população brasileira. A taxa diminuiu em comparação aos últimos anos, mas ainda é um desafio para o país”, afirma Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE.

O estudo mostra que mulheres (25,6%) e pessoas pretas e pardas (22,4%) representam a maior porcentagem de pessoas que não trabalhavam e nem estudavam no último ano.

“Como destacado do estudo, mulheres e a população negra são a maioria. É um reflexo das desigualdades sociais e das dificuldades que se apresentam para essa parte da população. Muitos abandonam o ensino formal na busca de oportunidade de emprego, no entanto, enfrentam barreiras para inserção no mercado de trabalho”, diz Mariano que reforça a necessidade de se avançar em políticas públicas voltadas para atender a essa parcela da população.

Nível de instrução: do básico ao superior

O estudo mostra que mais da metade (54,5%) da população de 25 anos ou mais de idade tinham pelo menos o Ensino Básico obrigatório em 2023.

As taxas de educação estão crescendo desde o ensino básico até o ensino superior, mas o desafio da educação no país ainda continua. No Brasil, apenas 19,7% da população tem ensino superior completo e o analfabetismo ainda é uma realidade no país.

O analfabetismo ficou para os mais velhos

No Brasil, é considerado alfabetizado quem sabe ler e escrever um bilhete simples. Segundo a PNAD, em 2023 havia 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que eram analfabetas no Brasil.

Considerando o recorte por região, Nordeste ainda segue com a maior porcentagem de brasileiros que não sabem ler e escrever (dados de 2023) entre pessoas com 15 anos ou mais:

  • Nordeste: 11,2%
  • Norte: 6,4%
  • Sudeste: 2,9%
  • Sul: 2,8%
  • Centro-Oeste: 3,7%

Quando o recorte é 60 anos ou mais, é possível ver uma aproximação da taxa de analfabetismo entre as regiões Norte e Nordeste:

  • Norte: 22%
  • Nordeste: 31,4%
  • Sudeste: 8,5%
  • Sul: 8,8%
  • Centro-Oeste: 13,6%

“Percebe-se que praticamente o problema está localizado no contingente de pessoas das faixas etárias mais altas. Isso mostra que o Brasil, nos primeiros anos, avançou muito na questão da escolarização”, afirma o analista do IBGE.

A meta da escolarização de crianças

Uma das metas do governo é ampliar a oferta de educação infantil em creches e atender, no mínimo, 50% das crianças de 0 a 3 anos até o final de vigência do Plano Nacional da Educação (PNE) de 2024. Centro-Oeste e Norte são as regiões mais desafiadoras do país neste contexto, considerando que no último ano a taxa de crianças nesta faixa etária estava abaixo da meta:

  • Norte: 37,4%
  • Nordeste: 60,2%
  • Sudeste: 63,8%
  • Sul: 63%
  • Centro-Oeste: 47,7%

Outra meta do governo é universalizar até 2016 a educação infantil e a pré-escola para as crianças entre 4 e 5 anos.

Nesta faixa etária, o Norte é a região que menos tem crianças na escola.

  • Norte: 86,5%
  • Nordeste: 94,4%
  • Sudeste: 94,5%
  • Sul: 91,4%
  • Centro-Oeste: 90,6%
Por mais crianças nas escolas

Pela primeira vez, nos últimos 7 anos, a frequência de crianças entre 6 e 14 anos ficou abaixo da meta do PNE para esse indicador, que é de pelo menos 95% até 2024 – sendo que em 2023 foi registrado 94,6%.

“Esse número ainda é uma decorrência da pandemia, principalmente quando consideramos crianças na faixa dos 7 anos, que já eram para estar no fundamental, mas ainda estão na pré-escola”, afirma Mariano.

Adolescentes fora da escola

Outra meta do PNE é chegar em 85% a taxa ajustada líquida da escolarização (razão entre o número total de matrículas de alunos de várias faixas etárias e a população daquela da faixa etária prevista — geralmente de 6 a 14 anos de idade — para uma determinada série) em brasileiros entre 15 e 17 anos até 2024. “Mesmo com a meta, o número de adolescentes que estão fora da escola continua ainda elevado”, afirma Mariano.

Taxa ajustada de frequência escolar líquida:

  • Norte: 65,9%
  • Nordeste: 71,3%
  • Sudeste: 81%
  • Sul: 74%
  • Centro-Oeste: 75%

“Parece que além dos problemas relacionados às desigualdade sociais é necessário discutir como fazer para manter os jovens na escola. Há ainda um grande gargalo no ensino médio”, diz Mariano.

O desafio do ensino superior

Para estudantes entre 18 e 24 anos o maior desafio é o ensino superior. A meta do PNE estabelece que a taxa de frequência escolar líquida no ensino superior alcance 33% este ano. Em 2023, no Brasil, essa meta havia sido atingida somente entre pessoas brancas (36%).

Entre os principais motivos para o brasileiro não ingressar no ensino superior no Brasil estão:

  • Precisa trabalhar: 45,6%
  • Não tem escola na localização, vaga, curso de interesse ou turno desejado: 2,5%
  • Falta de dinheiro para pagar as despesas: 1,5%
  • Por ter que realizar os afazeres domésticos e cuidar de pessoas: 15,7%
  • Problemas de saúde permanente: 5,3%
  • Não tem interesse: 23,4%
  • Outro motivo: 6%

Quando o recorte é por gênero, os homens se destacam com o motivo que precisam trabalhar (58,6%), e as mulheres se destacam com o motivo que precisam cuidar dos afazeres domésticos (36,3%).

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