IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo



Por Trainee
O avanço da inteligência artificial já começa a impactar diretamente o mercado de trabalho no Brasil, especialmente entre os mais jovens. Um estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, mostra que a tecnologia já está associada à redução tanto das oportunidades de emprego quanto da renda entre trabalhadores de 18 a 29 anos.
De acordo com o levantamento, jovens que atuam em profissões mais expostas à inteligência artificial têm uma chance de emprego cerca de 5% menor em comparação ao período anterior à popularização dessas ferramentas. Além disso, a renda desse grupo também sofreu impacto, sendo em média quase 7% menor em relação a trabalhadores em funções menos afetadas pela automação.
O estudo analisou dados entre 2022 e 2025, comparando trabalhadores em ocupações mais expostas à IA — como áreas de serviços, informação e setor financeiro — com aqueles menos impactados. A conclusão é que, após a chegada de ferramentas como o ChatGPT, profissionais em início de carreira passaram a perder mais espaço no mercado, principalmente porque desempenham funções consideradas mais automatizáveis.
Segundo os pesquisadores, o principal fator por trás desse movimento é que a inteligência artificial consegue executar com mais eficiência tarefas típicas de entrada, como atividades administrativas, de apoio e rotinas padronizadas. Como essas funções tradicionalmente servem como porta de entrada no mercado de trabalho, a automação reduz oportunidades justamente para quem está começando a carreira.
O impacto, por outro lado, não é uniforme entre todas as faixas etárias. O estudo aponta que trabalhadores mais experientes tendem a ser menos afetados, já que ocupam funções mais estratégicas e voltadas à tomada de decisão — áreas em que a IA ainda não substitui completamente o trabalho humano.
Diante desse cenário, o levantamento reforça um alerta importante: a inteligência artificial não apenas transforma profissões, mas também altera o acesso inicial ao mercado de trabalho. Para os jovens, o desafio passa a ser desenvolver habilidades menos suscetíveis à automação, como pensamento crítico, capacidade analítica e uso estratégico da tecnologia, tornando-se mais competitivos em um ambiente cada vez mais digital e exigente.
