⏳ AINDA SEM ADESÃO, CALMA

Governo quer levar modelo do ‘Enem dos Concursos’ a estados e municípios, mas adesão ainda é incerta

Acordo entre União, Consad e República.org prevê cooperação para compartilhar experiências do Concurso Público Nacional Unificado, mas não obriga governadores e prefeitos a adotar o modelo
(Divulgação: Governo Federal)

Por Trainee

O “Enem dos Concursos” pode deixar de ser exclusividade do governo federal. O governo iniciou as articulações para levar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) para estados e municípios — mas, antes de qualquer comemoração, vale o alerta: por enquanto, nenhum governador ou prefeito é obrigado a adotar nada.

O CNU foi realizado pela primeira vez em 2024 e reúne vagas de vários órgãos públicos federais num único concurso: em vez de cada órgão organizar sua própria seleção, todos os candidatos fazem a mesma prova, aplicada ao mesmo tempo em centenas de cidades do país. Em documento antecipado com exclusividade ao G1, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) e a organização República.org firmaram um compromisso para adaptar e disseminar, em estados e municípios, as inovações desenvolvidas no CNU.

O acordo em números

Os marcos da iniciativa anunciada em Teresina.

2024

1ª edição do CNU

136º

Fórum Nacional de Secretários de Administração

3

instituições signatárias do acordo

0

adesões formalizadas até agora

A carta foi assinada durante o 136º Fórum Nacional de Secretários de Estado da Administração, em Teresina (PI), com anúncio oficial previsto para esta sexta-feira (7). Segundo a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, o apoio do governo federal pode se dar de diferentes formas — desde o conteúdo das provas e o formato de seleção até questões de logística, já que ela reconhece que “tem um lado de fato de compartilhar infraestruturas”.

O que muda (e o que não muda) por enquanto

O alcance real do acordo assinado em Teresina.

O que o acordo faz O que o acordo NÃO faz
Abre agenda de cooperação técnica Não cria concurso único nacional
Compartilha experiências e estudos do CNU Não obriga estados a adotar o modelo
Apoia governos que já demonstraram interesse Não obriga municípios a adotar o modelo

A proposta nasce de um problema recorrente relatado por gestores estaduais de diferentes regiões do país: dificuldade para planejar, financiar e executar concursos públicos, especialmente para cargos ligados à gestão da máquina pública. Segundo Samuel Pontes, presidente do Consad e secretário de Administração do Piauí, montar toda a engrenagem de um concurso — contratar banca, elaborar provas, garantir planos de carreira atrativos o suficiente para atrair bons profissionais — é uma tarefa pesada demais para muitos governos locais conseguirem tocar sozinhos.

Quem já demonstrou interesse

Estados e municípios citados pela ministra Esther Dweck.

Piauí Um dos primeiros a defender a ideia
Bahia Demonstrou interesse na proposta
Rio de Janeiro Demonstrou interesse na proposta
Juiz de Fora (MG) Município que também procurou o MGI

Apesar do interesse já sinalizado por esses governos, a própria ministra Esther Dweck faz questão de reforçar que ainda não existem adesões formalizadas. O objetivo desta fase é estruturar os estudos técnicos necessários para eventuais projetos futuros — o que significa que ninguém deve esperar um “CNU estadual” saindo do papel no curto prazo.

Na visão das instituições que assinaram o acordo, a experiência acumulada pelo governo federal na implementação do CNU pode ajudar estados e municípios a enfrentar esses desafios, reduzindo desigualdades de capacidade técnica entre diferentes entes federativos e ampliando o acesso a soluções que já foram testadas em escala nacional.

Para quem sonha com estabilidade no serviço público, o principal recado prático é este: fique de olho nos estados onde já mora ou pretende morar, especialmente aqueles citados como interessados na iniciativa. Se o modelo avançar, a lógica deve seguir parecida com a do CNU federal — uma única prova, cronograma unificado e chance de concorrer a vários cargos com um único estudo focado. Mas, por ora, o que existe é intenção declarada, não uma data no calendário.