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Fortnite: quem é o brasileiro que passou em 28 universidades dos Estados Unidos jogando videogame
Ex-estudante de escola pública, Matheus Guimarães Montenegro ganhou bolsas de 50% a 75% por causa das habilidades no videogame. Além disso, se tornou o primeiro atleta de e-sports patrocinado pelo Santander
Por Exame | Tempo de leitura: 4 min
(Santander/Divulgação)

O jovem Matheus Guimarães Montenegro, de 20 anos, passou em 28 universidades americanas por causa de um jogo de videogame. Sim, você leu certo. Ex-estudante de escola pública, o morador de São Vicente, litoral de São Paulo, encontrou no hobby o passaporte para mudar de vida.

Em agosto, ele começou as aulas de ciência da computação na Oklahoma Christian University onde conseguiu uma bolsa de estudos de 75%. Aprovado em meados de julho, ele tinha cerca de um mês para juntar cerca de R$ 82 mil para arcar com custos de passagem e hospedagem.

Matheus, então, resolveu fazer uma vaquinha virtual. “Eu estava perto de viajar e ainda não tinha conseguido reunir a quantia necessária. Estava quase desistindo”, diz.

Foi aí que recebeu outra boa notícia: o Banco Santander viu a história de Matheus nas redes sociais e resolveu patrocinar o jovem. Com isso, ele se tornou o primeiro atleta de e-sports patroneado pelo banco.

“Matheus é um exemplo de jovem que correu atrás do seu sonho e enxergou no universo gamer uma forma de transformar sua vida para melhor. O intuito do nosso apoio é facilitar sua experiência em se tornar uma pessoa, um profissional e um jogador melhor”, diz Danielle Sardenberg, superintendente executiva de Marketing do Santander.

O que é o Fortnite

Matheus conta que, assim como outros jovens da sua geração, começou a se interessar por videogames logo cedo. “Comecei a jogar com uns oito anos com o Playstation do meu pai”, diz. Mais tarde, quando estava no ensino médio o Fortnite chegou aos consoles.

O jogo, no formato “battle royale”, é on-line e consiste em um modelo em que os jogadores precisam realizar diversas missões com o intuito de ser o único sobrevivente da partida. “Comprei as peças e montei meu próprio PC Gamer para conseguir jogar não só o Fortnite como outros jogos”, diz Matheus.

“Não tinha nota para passar”

Com o sonho de cursar uma universidade nos Estados Unidos, o jovem costumava estudar cerca de seis horas por dia para o SAT (Scholastic Aptitude Test), uma espécie de ENEM americano.

Mas, apesar disso, o processo para entrar nas universidades não era fácil e, além das boas notas, Matheus precisou reunir uma série de documentos, como cartas de recomendação e teste de proficiência.

“As universidades americanas te avaliam como pessoa e, por isso, levam em consideração todo o seu histórico do Ensino Médio. Só que o problema é que minhas notas não eram muito boas”, admite.

Tudo mudou em 2021, quando Matheus viu uma matéria com Guilherme Mannarino, jovem carioca que, aos 17 anos, passou em 32 universidades por causa das habilidades do Fortnite. Foi aí que um novo mundo se abriu e o jovem decidiu que iria apostar no que, até então, era um hobby para conseguir realizar o seu sonho.

Mesmo com o computador já defasado, Matheus começou a jogar profissionalmente, participando de campeonatos além de praticar entre três a quatro horas por dia — enquanto iniciava os processos de aplicação para as universidades.

Porém, com um detalhe: o estudante gravou um vídeo e enviou para as faculdades em que estava se aplicando mostrando o talento no jogo. “Joguei dois a três minutos para mostrar algumas habilidades, como estratégia, por exemplo”, conta.

A estratégia — dentro e fora do jogo — deu certo e Matheus foi aprovado em 28 universidades com bolsas que variam entre 50% e 75%. Escolheu a instituição na cidade de Oklahoma porque, segundo ele, a universidade tem um programa de e-sports mais estruturado.

“Mas eu nunca ganhei dinheiro com o e-sports”, garante, fazendo questão de salientar que não é preciso ser um jogador premiado para seguir o mesmo caminho que o dele.

O estudante conta que, no começo, a família também não entendia muito bem. “Meu pai não me apoiava muito, tive que ir explicando de pouquinho em pouquinho”, diz.

Como conselho para quem está querendo seguir o mesmo caminho, ele diz que tudo é uma questão de equilíbrio. “Não é só jogar 24 horas por dia, é preciso se dedicar também a outros projetos e para o currículo em si”.

Brincadeira de gente grande

Por trás de histórias como a de Matheus está o fato de que o universo do videogame há muito deixou de ser apenas brincadeira de criança. De olho no gigantesco mercado de esportes eletrônicos, que só em 2021 movimentou US$ 1 bilhão, universidades e escolas americanas estão criando suas próprias equipes de gamers.

Para se ter uma ideia, desde 2018, quando a Federação Nacional Federação Nacional das Associações Estaduais de Ensino Médio (NFHS, na sigla em inglês) reconheceu o e-sports como esporte oficial, mais de 8.600 escolas de ensino médio americanas criaram ligas de videogame.

Ao todo, quase 200 universidades americanas incorporaram as competições de videogame no currículo acadêmico e US$ 16 milhões em bolsas foram concedidas para os atletas que se destacam na modalidade, assim como já acontece com outras categorias como atletismo e futebol americano.

“O universo gamer está em rápido crescimento e se apresenta cada vez mais como uma opção profissional rentável e não apenas um ‘hobby’”, diz Nicolás Vergara, superintendente executivo do Santander Universidades no Brasil que, recentemente, também lançou um programa que vai conceder até 30 mil bolsas para os interessados em ingressar na área.

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