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Estilo Trump? 3 exemplos do que nunca fazer no trabalho


Sim, Donald Trump ganhou muito dinheiro como empresário e seu sucesso no mundo dos negócios foi credencial para ser eleito presidente da maior economia do mundo.

“Ele tem uma trajetória interessante de empreendedorismo, ambição, autoconfiança e de conquista de resultados”, diz Roberto Picino, diretor executivo da Michael Page

Mas seu estilo como chefe de Estado tem passa longe do que prega qualquer manual de liderança atual, sobretudo no que tange à gestão de negócios. “É uma gestão autoritária e bastante unilateral”, avalia Picino.

A guerra comercial deflagrada pela decisão de taxar em 25% a importação de aço e 10% para o alumínio é o exemplo mais atual da atitude impositiva. Tivesse Trump agido dessa forma inflexível em toda sua trajetória de empresário e seus resultados nos negócios não seriam bilionários.

E, ainda que comportamentos desse tipo fossem tolerados décadas atrás, hoje em dia estão deslocados, obsoletos, embora ainda possam ser repetidos por líderes menos conectados com a demandas atuais.

Gestão no mundo corporativo globalizado pressupõe negociação, acordo, poder de convencimento. Justamente estas atitudes estão de fora da agenda do homem sentado na cadeira de número 1 da nação mais poderosa do planeta.

Tomar Trump como modelo na gestão das áreas comercial, financeira e tributária de uma empresa, por exemplo, vai arruinar a carreira e o diretor da Michael Page explica por que:

1. Área comercial: não cultivar relacionamento

Na carreira em vendas, relacionamento é a essência dos melhores resultados. Mas Trump gerencia o comércio americano baseado em suas próprias convicções, algo impensado na vida prática das empresas.

Que gestor comercial terá sucesso ignorando o interesse de clientes, intermediadores e fornecedores? Uma seguradora que não tenha bom relacionamento com corretores está fadada ao fracasso nas vendas de seu produto e vice-versa.

“Para se chegar à definição de preço há que se ter um intenso processo de negociação. Trump determina o preço de forma autoritária, onipotente e inflexível”, diz o executivo da Michael Page.

Um bom gerente comercial, planeja e executa a estratégia comercial, suportando pressões internas. Usa seus relacionamentos para buscar novos negócios. Por isso, quando a empresa contrata um profissional para área comercial, está interessa na rede de contatos que ele traz na bagagem.

2. Área financeira: lucro pelo lucro em primeiro lugar

O slogan “América em primeiro lugar” levado a cabo na política de preços definida pelo presidente Trump levaria uma empresa ao fracasso.

Departamentos financeiros também precisam de profissionais aptos ao diálogo, à construção de relacionamento. “É uma área que colhe informações e se comunica com todas as demais internamente. E externamente, dependendo da relação que tem com o mercado, precisa se adequar a uma série de obrigações e leis”, diz Picino

No relacionado interno e externo deve haver sempre diálogo, construção de relacionamento e defesa de interesses dentro de uma conduta ética e transparente. O suposto lucro em primeiro lugar pode se tornar predatório para o próprio segmento e para a empresa.

3. Área tributária: imposição sem negociação

Para aumentar a tributação do aço importado, Trump lançou mão de um dispositivo criado para defender a segurança nacional dos EUA (seção 232), que não era usado desde 2001.

O protecionismo imposto vai causar perdas bilionárias para os atuais parceiros comerciais dos Estados Unidos, na venda de aço e alumínio.

Numa empresa, o chefe da controladoria desempenha um trabalho técnico e complexo que envolve, obrigatoriamente, a construção de estratégias e diálogos. Perfis como o de Trump, autoritários e impositivos, são descartados, segundo Picino.

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