Escala 6×1: pesquisa aponta apoio de 69% dos brasileiros ao fim da jornada



Por Trainee
Se depender da vontade popular, a escala 6×1 tem os dias contados. Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim do modelo, contra 22% que se dizem contrários.
O apoio não é novidade nem oscilou muito: em julho de 2025 já estava em 69%, chegou a 72% em dezembro daquele ano e recuou para 68% em maio de 2026. Ou seja, a ideia de trabalhar menos segue firme na preferência de quem responde à pesquisa há mais de um ano.
A proposta em discussão reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, num prazo de transição de até 14 meses, e permite o fim da escala de seis dias trabalhados por apenas um de folga.
A pesquisa em números
O retrato do apoio popular ao fim da escala 6×1.
são a favor do fim da escala
se dizem contrários
já sabiam da tramitação
eleitores ouvidos
A proposta já não é segredo para quase ninguém: 75% dos entrevistados sabiam que a Câmara aprovou o fim da escala 6×1 e que o texto agora tramita no Senado. Os outros 25% só ficaram sabendo do assunto ao responder à própria pesquisa — o que, convenhamos, também é uma forma de se informar.
Onde a opinião se divide é nos efeitos práticos da mudança. Metade dos entrevistados (50%) acredita que, se a proposta for aprovada, vai de fato passar a trabalhar menos horas por semana. Já 45% são mais céticos e não acreditam nisso, enquanto 5% preferiram não opinar.
O que fariam com o tempo livre
Resposta dos entrevistados sobre o uso das horas ganhas com o fim da 6×1.
| Atividade | % |
|---|---|
| Descansar e ficar com a família | 53% |
| Buscar outro trabalho ou fazer hora extra | 13% |
| Fazer cursos ou estudar | 12% |
| Ir à igreja ou cerimônias religiosas | 9% |
| Passear, ir a bares e restaurantes | 6% |
| Viajar | 4% |
| Não sabe ou não respondeu | 3% |
O resultado deixa claro que, para a maior parte da população, a redução de jornada não é sobre produtividade extra ou renda adicional — é sobre descanso. Apenas 13% disseram que usariam o tempo livre para trabalhar mais ou buscar outra ocupação, um sinal de que o desgaste da rotina atual pesa mais do que o desejo de ganhar dinheiro extra.
Para empresas e áreas de gestão de pessoas, o momento pede atenção: mesmo que a tramitação no Senado ainda não tenha data para terminar, o tema já está consolidado na pauta pública e o prazo de transição de 14 meses previsto na proposta é curto para quem depende de escalas de seis dias para operar. Repensar turnos, redistribuir jornadas e simular o impacto financeiro da redução de horas deixou de ser exercício hipotético.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-07181/2026.
