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Em Portugal, sextou da semana de quatro dias melhora empresa: ‘Impossível recuar’
Projeto-piloto chega à metade e balanço feito por diretora de companhia privada detecta impulso na criatividade, ambiente e desempenho da equipe
Por O Globo | Tempo de leitura: 3 min
(Alexander Spatari/Getty Images)

O projeto-piloto da semana de quatro dias de trabalho chegou à metade em Portugal. No balanço feito para o Portugal Giro por uma das 40 empresas privadas participantes do programa do governo, o “sextou” melhorou a criatividade e o desempenho dos funcionários.

Vânia Lima, diretora-geral da Onya Health, empresa de comunicação especializada em saúde, explica que a redução da carga horária aumentou a produtividade e a felicidade da equipe.

— É impossível recuar, voltar atrás. Em nossa avaliação interna, o balanço é positivo. O desempenho é melhor na semana de quatro dias. A equipe trabalha na segunda-feira seguinte descansada e com outra energia — disse Lima.

Após uma pesquisa interna, os funcionários preferiram intercalar a semana de quatro dias, praticada a cada quinzena. Com duas sextas-feiras livres por mês, a carga horária passou de 40 para 36 horas. Assim, é possível comparar com mais precisão os dois modelos.

— Dependemos muito da parte criativa e a semana intensa, cheia, prejudica essa parte, porque as pessoas ficam cansadas, o que é normal. Na sexta-feira de folga, os funcionários desligam totalmente e estão contentes com isso — declarou Lima.

Para pôr em prática a semana de quatro dias, Lima conta que a estratégia foi eliminar o desperdício do tempo gasto com reuniões ou atividades improdutivas.

— O principal é não perder tempo com inutilidades ou burocracia. As reuniões são objetivas e usamos a tecnologia a nosso favor para sermos mais eficientes, dentro da mentalidade de fazer bem feito com o tempo que temos — afirmou Lima.

A empresa adotou o trabalho à distância e considera a prática uma alternativa moderna para evitar redundância e perda de tempo e dinheiro. Ainda mais com o trânsito e a alta do preço do aluguel de imóveis no Porto, onde estava sediada. A sede passou a ser um coworking em Braga.

— Há um escopo de trabalho e entregas feito semanalmente que está calculado mediante as 36 horas. Usamos o Teams para conversar e temos um calendário diário com períodos de foco e períodos de feedback. Os períodos de foco no trabalho são horas sem reuniões ou necessidade de responder mensagens. Os períodos de feedback são atualizações via mensagem ou chamada/reunião. Temos, também, dias estipulados para reuniões externas.

Comunicar o novo ritmo de trabalho aos clientes foi necessário. Desde o início do projeto-piloto, há três meses, nenhum deles acionou a empresa numa sexta-feira de folga:

— Nunca aconteceu, porque informamos aos clientes que estamos neste projeto e todos eles são profissionais organizados.

Além de diretora, Lima é dona da empresa e sempre fica tentada a olhar os e-mails durante a folga. Mas evita responder.

— Não respondo nestes dias, que aproveito para ficar com a família, ir à praia, assistir filmes e séries. Como é um dia útil, também posso resolver coisas práticas — disse Lima, que afirma manter ou até mesmo aumentar a redução da carga horária após o projeto-piloto.

Funcionário da empresa há 18 meses, o consultor Gabriel Ribeiro explicou que o fim de semana prolongado fez com que olhasse para a vida pessoal e profissional de outro modo.

— Permite mais tempo de lazer, oportunidades de realizar tarefas pendentes, passar mais tempo com a família e amigos e até mesmo fazer escapadinhas para outras cidades e países. É um incentivo para que haja maior equilíbrio entre as nossas responsabilidades profissionais e o nosso direito a viver a vida — disse ele.

O reflexo positivo no trabalho, segundo o consultor, é nítido em toda a equipe, formada por sete pessoas:

— A motivação no início da semana aumentou e, apesar das horas reduzidas de trabalho, conseguimos responder de igual forma ou até melhor às exigências. O ambiente da equipe também melhorou.

Por fim, ele conta como a empresa se adaptou para a chegada da nova realidade do mercado de trabalho. E revela que não foi nada dramático, pelo contrário.

— Adotamos estratégias para nos tornarmos mais incisivos na resposta às nossas responsabilidades. Isto é possível através da criação de metas de trabalho e de priorização de tarefas por importância e urgência. Definimos, em conjunto, técnicas de blocos de concentração durante períodos específicos de trabalho. Tudo é complementado com programas e ferramentas de colaboração e com estratégias para uma melhor comunicação entre todos — explicou Ribeiro.

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