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Dress code: códigos de vestimenta rígidos ainda fazem sentido nas empresas?
Em meio ao trabalho híbrido e a discussão cada vez maior sobre diversidade, especialista reflete sobre a necessidade de empresas ainda criarem cartilhas com regras sobre vestimenta para os funcionários
Por Exame | Tempo de leitura: 3 min
(artursfoto/Thinkstock)

Nos últimos anos, quem pôde trabalhar remotamente durante a pandemia acabou se acostumando com um estilo um pouco mais despojado.

No dia a dia do home office, saltos altos deram lugar para tênis e pantufas, roupas mais estruturadas foram substituídas por peças confortáveis e, aos poucos, aquele dress code rigoroso foi se tornando flexível.

Se tinha uma reunião ou evento online mais formal, bastava “ajeitar” a parte de cima e, depois de terminado o compromisso, voltar para as modelagens mais amplas e tecidos aconchegantes.

Porém, com a retomada do presencial 100% ou parcial, as antigas preocupações com o que usar e o que não usar no trabalho voltaram a aparecer. Com elas, veio também o dilema: até que ponto uma empresa pode determinar regras de conduta e vestimenta?

Dress code: até que ponto empresas podem determinar visual do funcionário?

O dress code não é um assunto novo e nem exclusivo do ambiente corporativo. Temos “códigos” de vestimenta para frequentar a escola, para ir a um casamento, para participar de uma celebração religiosa… Cada espaço tem a sua própria “linguagem visual”.

Só que essa é uma discussão sensível no ambiente de trabalho. Se, de um lado, cada empresa tem a sua cultura; do outro, cada pessoa tem a sua individualidade. O caminho, já adianto, é descobrir como equilibrar as duas pontas.

O meu conselho para as organizações é entender o novo contexto no qual nos inserimos, em que maior flexibilidade e liberdade foram experimentadas. Será que, no retorno ao escritório, todas as “regras de etiqueta” precisam voltar exatamente como eram antes? Não é possível adaptar algumas recomendações?

Conheço empresas onde o uso de terno e gravata era mandatório antigamente, mas que entenderam que existia um ganho importante de bem-estar quando as pessoas podiam ir para o trabalho mais à vontade.

A solução? Recomendar o uso das peças apenas nos encontros com clientes ou reuniões mais formais, em que o estilo formal é bem-visto. Nos demais dias, não havia necessidade de todo esse rigor.

Quando estamos à frente de uma organização, vale sempre revisitarmos as nossas crenças e analisar o que, de fato, faz parte da cultura. Algumas perguntas que podem ajudar são:

  • Excluir ou adaptar algumas regras de conduta vai mesmo enfraquecer a cultura corporativa?
  • Mudar algumas tradições vai ferir os valores da empresa?
  • Ou será que, ao contrário, as adaptações podem trazer um resultado positivo?

E se a empresa entender que precisa ter algo mais bem definido, tudo bem. É normal existirem códigos de conduta, guias, cartilhas. O importante é cuidar da forma como o conteúdo é divulgado. O ideal é que sejam orientações, não imposições, e que elas não invadam a vida privada das pessoas.

Quando as pessoas sentem que as empresas estão abertas ao diálogo e a mudar algumas coisas internamente, isso mostra não só um entendimento dos novos tempos, mas uma postura respeitosa diante da individualidade de cada uma delas.

Por consequência, observamos o aumento do engajamento, o crescimento da diversidade com inclusão e até um boom na inovação — afinal, as pessoas se sentem mais à vontade para serem quem são e compartilharem suas ideias.

Quais são as vestimentas adequadas para o ambiente de trabalho?

E não poderia deixar de comentar que o bom senso é indispensável. Da mesma forma que não costumamos ir de chinelo a um casamento porque a ocasião pede outra vestimenta — a não ser que seja aquele estilo mais despojado com pé na areia —, não faz sentido achar que dá pra vestir absolutamente qualquer coisa para ir ao escritório ou a um evento da empresa.

Cada momento tem as suas particularidades e saber “ler” o ambiente é um sinal de maturidade profissional.

Entender o contexto e a linguagem de cada lugar que frequentamos faz parte de habitarmos o mundo como seres sociais. Temos as nossas particularidades, porém, estamos inseridos em um coletivo e, por isso, é importante sabermos nos adaptar a cada situação.

E apesar de óbvio, vale reforçar: não esqueça dos cuidados básicos de higiene.

Por Sofia Esteves, fundadora e presidente do conselho Cia de Talentos

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