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As coisas inusitadas que candidatos fazem nas entrevistas de emprego
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O Globo

Todos nós estamos cansados de saber o que devemos fazer numa entrevista de emprego: aparecer na hora certa, pesquisar com antecedência sobre a empresa, se preparar para possíveis perguntas, não mentir sobre suas habilidades ou qualificações e certificar-se de que tem suas próprias perguntas para fazer ao entrevistador. No entanto, para alguns, pode ser difícil saber o que não fazer nessa hora.

A diretora de Recursos Humanos da Mira, Fátima Mangueira, lembra que, embora haja pessoas completamente “sem noção”, em alguns momentos sabemos que a ansiedade e o nervosismo no processo de entrevista pode prejudicar um candidato, fazendo com que perca a chance de conquistar a vaga. Ela disse ser comum situações de gagueira, tosse, crise de riso e outras ações por conta do nervosismo:

— Geralmente, quando a gente alimenta um medo, ele acontece de diversas formas. Agora, quando a gente entende que isso pode acontecer, deve procurar manter o controle para que isso não venha a atrapalhar a oportunidade. É, inclusive, recomendável pedir licença e sair da sala quando não se tem controle da ação. Estar bem preparado pode ajudar a sanar um pouco esta situação.

Fátima admite, no entanto, que existem, sim, pessoas completamente despreparadas e que tomam atitudes inesperadas durante o processo de seleção. Uma das situações inusitadas que presenciou foi a de uma candidata que compareceu para a entrevista de short, por sinal bem curto, e com o seu cãozinho “a tiracolo”, insistindo para entrar com o animal na hora de ser entrevistada:

— Lembro que era uma entrevista coletiva, com mais de cinco pessoas, e o cachorro latia o tempo todo. E, neste caso, não foi possível. Pedimos que voltasse um outro dia para a entrevista. Ela saiu reclamando e achou um absurdo não pode participar da entrevista com seu cão.

Fátima conta que, em vários momentos, já atendeu pessoas que no meio da entrevista pararam para atender o celular, sempre falando alto, com todos na sala ouvindo a conversa:

— Já teve mãe pedindo para fazer compras no supermercado ou outros ligando para dar recados de terceiros. Teve um caso em que era outra empresa agendando uma entrevista de emprego e a candidata simplesmente se levantou e saiu sem qualquer justificativa.

Cuidado com o excesso de confiança

Gestor de Operações da Top Quality, Sérgio Araújo reconhece que dicas de como obter um bom desempenho em um processo seletivo são comuns. Na sua opinião, o principal fator que leva, muitas vezes, um candidato que avalia o seu desempenho num processo seletivo como satisfatório a ser eliminado é o excesso de confiança.

— Tenha em mente que você está em um processo seletivo, portanto, está sempre sendo avaliado. O tempo todo o seu comportamento e desempenho estarão sendo retificados e ou ratificados, mesmo quando você já está admitido. Por isso, cuidado com o excesso de confiança: lembre-se que cada empresa tem sua historia, visão, missão e valores. E cada gestor é único. Portanto, observe, pesquise sobre a empresa e, se possível, sobre o seu gestor direto. Se mostrar de forma pertinente, quando solicitado ou muitas vezes quando se faz necessário, é ser inteligente, seja através do seu trabalho ou de suas opiniões.

Ele ressalta que o excesso de confiança dos candidatos muitas vezes nos proporciona experiências bizarras no mundo real e fictício:

— Quem não se lembra da propaganda recentemente veiculada de uma companhia de seguros em que o candidato é pego dançando dentro do elevador após ter sido considerado pelo empregador um candidato em potencial para a vaga? Tal comportamento o tirou da disputa e ainda o colocou em evidência no mundo virtual.

Uso de trajes fora dos padrões é recorrente

Uma das situações recorrentes, segundo os especialistas, é a de uso de trajes totalmente fora dos padrões e inadequados para uma entrevista de emprego, como blusas transparentes, decotes, shorts ou barriga de fora. Outro fato que chama atenção nos processos de seleção é o envio de currículos com fotos de corpo inteiro — o que é completamente desnecessário. Fátima lembra inclusive da ocasião em que uma candidata enviou junto com o currículo uma foto de biquíni para que o empregador analisasse se o corpo dela era “adequado” para a vaga de recepcionista.

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