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Câmara aprova projeto que garante licença menstrual de até 2 dias por mês

Se aprovada no Senado, o Brasil passará a integrar o grupo de países que já reconhecem o direito à licença menstrual – entre eles, Espanha, Japão, Indonésia e Coreia do Sul
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(Divulgação: Congresso Nacional)

Por Trainee RH

A Câmara dos Deputados deu um passo significativo para a saúde e equidade de gênero ao aprovar o Projeto de Lei (PL) 1249/22, que cria a licença menstrual remunerada para trabalhadoras no Brasil. O texto, que segue agora para análise e votação no Senado Federal, reconhece a realidade de mulheres que sofrem com sintomas graves e incapacitantes durante o período menstrual, como cólicas intensas (dismenorreia) e condições como a endometriose.

Detalhes da proposta aprovada
  • Autoria: Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ);
  • Duração: A licença prevê o direito a até dois dias consecutivos de afastamento por mês. O texto original propunha três dias, mas a relatora ajustou para dois, visando a viabilidade administrativa e econômica;
  • Condição: O benefício é destinado a trabalhadoras que apresentem sintomas graves e incapacitantes associados ao fluxo menstrual;
  • Comprovação: Será necessário apresentar laudo ou atestado médico que comprove a condição. O Poder Executivo definirá o prazo de validade, a forma de apresentação e a periodicidade de renovação do laudo;
  • Abrangência: A medida altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Lei do Estágio e a Lei Complementar 150/15 (emprego doméstico), garantindo o direito a empregadas com carteira assinada, estagiárias e trabalhadoras domésticas;
  • Remuneração: O afastamento deve ocorrer sem prejuízo no salário da trabalhadora.

A aprovação na Câmara é celebrada como um ato de justiça social e reconhecimento da saúde menstrual como um direito, corrigindo, segundo as parlamentares, uma distorção histórica em uma legislação trabalhista concebida sob uma lógica masculina.

Países que já adotaram

O Brasil se junta a um debate que já é lei em diversas nações, em diferentes modelos de aplicação. A adoção da licença menstrual visa garantir o bem-estar e, em muitos casos, tem mostrado resultados positivos em termos de produtividade e retenção de talentos nas empresas.

País

Ano da Aprovação

Duração e Observações

Japão 1947 Empresas devem conceder a folga, mas o pagamento não é obrigatório, resultando em baixa adesão.
Indonésia

Início dos anos 2000

Garante dois dias de folga menstrual por mês.

Coreia do Sul

2001 As trabalhadoras têm direito a um dia de folga não remunerada por mês.
Zâmbia 2015 Pioneira na África. As mulheres têm direito a um dia de folga por mês.
Espanha

Fevereiro de 2023

Primeiro país da Europa com lei nacional; permite três dias (extensível a cinco) de folga remunerada mediante atestado médico.

Além desses, outras nações e corporações multinacionais têm implementado políticas internas de licença menstrual, reconhecendo a importância de acolher e dar suporte a funcionárias com dores incapacitantes.

A proposta agora está nas mãos dos senadores, onde será debatida antes de seguir para a sanção presidencial.