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Cade investiga cartel de 59 multinacionais que combinavam salários de colaboradores

Empresas são suspeitas de trocar informações sobre salários e benefícios para limitar concorrência por profissionais
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(Imagem gerada por IA)

Por Trainee

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga um suposto cartel envolvendo 59 multinacionais que atuam no Brasil e que, juntas, empregam mais de 3 milhões de trabalhadores. Segundo as investigações, empresas de diferentes setores teriam compartilhado informações sensíveis sobre salários, benefícios e políticas internas com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e limitar a concorrência por profissionais no mercado.

De acordo com o Cade, a prática investigada envolve mecanismos conhecidos internacionalmente como “wage-fixing” e “no-poach”. Na prática, isso significa combinar salários ou evitar disputar funcionários entre concorrentes, dificultando que trabalhadores recebam propostas mais vantajosas ou consigam melhores condições ao mudar de empresa.

A investigação ganhou força após acordos de colaboração firmados por cinco companhias: Bayer/Monsanto, General Mills, Dow Brasil, 3M do Brasil e IBM Brasil. As empresas admitiram participação nas práticas investigadas e entregaram documentos, mensagens e informações sobre o funcionamento do esquema. Segundo os investigadores, houve troca sistemática de dados sobre reajustes, benefícios e estratégias salariais.

Entre as empresas citadas nas apurações estão gigantes como Volkswagen, General Motors, Stellantis, Nestlé, Coca-Cola, Unilever, BASF, Braskem, Danone, Heineken, Kimberly-Clark, Johnson & Johnson, Dell, HP, Nokia, Lenovo, Sandoz, Sanofi, Roche e AstraZeneca. As companhias atuam em setores variados, como tecnologia, alimentos, farmacêutico, indústria, agronegócio e automobilístico.

O Cade afirma que a prática teria reduzido a livre concorrência no mercado de trabalho brasileiro ao limitar disputas por mão de obra qualificada e dificultar a valorização salarial dos profissionais. Especialistas apontam que esse tipo de cartel pode gerar impactos profundos nas relações de trabalho, principalmente porque afeta diretamente salários, benefícios e mobilidade profissional.

Caso as irregularidades sejam confirmadas, as companhias podem receber multas que chegam a 20% do faturamento bruto, além de enfrentar ações judiciais e possíveis pedidos de reparação coletiva. O caso já é considerado uma das maiores investigações concorrenciais envolvendo relações de trabalho no Brasil e reforça debates sobre ética corporativa, transparência salarial e concorrência por talentos no mercado.