BYD entra na ‘lista suja’ do trabalho escravo após caso da fábrica na Bahia



Por Trainee
A montadora chinesa BYD foi incluída na chamada “lista suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego após desdobramentos de um caso envolvendo a construção de sua fábrica na Bahia. A inclusão ocorre após a conclusão de um processo administrativo relacionado ao resgate de trabalhadores estrangeiros que atuavam na obra e que foram encontrados em condições consideradas análogas à escravidão.
O caso envolve 163 trabalhadores chineses que foram resgatados durante fiscalizações realizadas em 2024. As denúncias apontaram situações como moradias insalubres, retenção de passaportes, restrições salariais e condições degradantes de trabalho durante a construção da unidade industrial. As autoridades entenderam que os elementos caracterizavam trabalho forçado, levando à responsabilização administrativa da empresa.
Mesmo após a empresa firmar um acordo com o Ministério Público do Trabalho que prevê pagamento de cerca de R$ 40 milhões para encerrar a ação civil pública, a inclusão na lista foi mantida. Isso ocorre porque o cadastro considera decisões administrativas definitivas, após o esgotamento das possibilidades de defesa. A “lista suja” reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Empresas incluídas nesse cadastro permanecem nele por até dois anos e podem enfrentar restrições, como impedimento para receber financiamentos públicos e impacto reputacional. A atualização mais recente do documento incluiu dezenas de novos nomes, entre pessoas físicas e jurídicas, após análise das autoridades trabalhistas.
