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As lições de criatividade e ousadia de Leandro Vieira, carnavalesco campeão na Imperatriz
Tricampeão no Rio antes dos 40 anos, ele diz que as ideias vêm de seu dia-a-dia, e que tira a desconfiança "trabalhando"
Por Exame | Tempo de leitura: 2 min
(Divulgação/Instagram)

Aos 39 anos, o carnavalesco Leandro Vieira conquistou nesta quarta-feira seu terceiro título no carnaval do Rio de Janeiro e se consolidou como um fenômeno precoce. Com um enredo que homenageou Lampião e levou o sertão nordestino para a passarela, Vieira levantou o troféu em seu ano de estreia na Imperatriz Leopoldinense. Em 2016 e 2019 ele já havia vencido o carnaval pela Mangueira.

Em entrevista ao G1 antes da definição do resultado, Vieira havia explicado o motivo da escolha do personagem. “Lampião é um personagem tão interessante da cultura brasileira que, independentemente de herói ou vilão, bom ou mau, criou a identidade do que é o homem nordestino”, disse.

Em 2019, o carnavalesco conversou com a EXAME sobre lições de liderança e criatividade que seguem atuais. Ele havia acabado de conquistar seu segundo título com o enredo “História para ninar gente grande”, que contou a história de heróis esquecidos do Brasil, como negros e índios.

Vieira estreou na Mangueira com pouco mais de 30 anos, vindo de um único desfile na Caprichosos de Pilares, em 2015. Como quebrar o preconceito e ganhar aliados numa instituição tão tradicional, mesmo tão jovem? Para ele, a receita foi a ousadia. E o trabalho duro.

“É importante ousar. Acho que o que mais dá certo aqui na Mangueira é a ousadia do trabalho. Eu tiro a desconfiança trabalhando, mostrando meu trabalho, mostrando o que eu quero e o que eu posso fazer”, disse à Exame.

Este ano, o carnavalesco voltou a surpreender, com um enredo mais educativo e histórico, e menos contestador. Ainda assim, Vieira se valeu de sua obsessão por contar o país. É uma marca de seus trabalhos desde que falou à Exame. “Eu sou um apaixonado pelo Brasil, sou um apaixonado pelas coisas do Brasil. Sou um apaixonado pelo pensar o Brasil”, disse em 2019.

“Os meus enredos são fruto do que eu bebo, do que eu como, do perfume que eu sinto o cheiro, dos lugares por onde eu ando, das conversas que eu tenho. Eu tenho a tendência de me colocar como uma esponja que capta o que está sendo dito ao meu redor”, disse.

Em entrevista ao Roda Viva em fevereiro de 2022, reiterou o que havia falado à EXAME sobre seu processo criativo, pautado no que vê como tradução do Brasil. Ele disse que não gosta de projeto “Eu não tenho método de criação, não gosto nem de projeto. É uma liberdade que a escola em que trabalho me deu. Não faço projeto de figurinos e de alegorias. Me sinto um artesão, que trabalha diariamente em busca de algo que terá que estar pronto no dia do desfile”, disse Vieira ao Roda Vida.

Seus títulos, e seus desfiles históricos, mostram que o casamento entre trabalho duro, ousadia — e confiança das duas partes — são essenciais para o sucesso. Vale no Carvanal do Rio. Mas vale também para qualquer negócio, e qualquer carreira.

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