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Adeus currículo: Jogos são a nova cara dos processos seletivos
Testes tradicionais dão lugar a etapas com jogos e dinâmicas em grupo on-line; experiência positiva do candidato durante o processo seletivo contribui para o fortalecimento da marca
Por Estadão | Tempo de leitura: 4 min
(Felipe Rau/Estadão)

Você já teve a sensação que estava fazendo uma prova do vestibular durante um processo seletivo? A era dos testes entediantes e intermináveis parece estar chegando ao fim, ao menos para os candidatos de programas de trainee. Experiências imersivas e interativas são a nova aposta de grandes empresas como Americanas e Unilever.

De acordo com a pesquisa Millennials – Unravelling the Habits of Generation Y in Brazil, a geração Z já representa 24% do mercado de trabalho brasileiro. Para atrair e reter jovens talentos da nova geração, as empresas apostam cada vez mais em jornadas gamificadas para otimizar o recrutamento, engajar os candidatos e tornar a seleção mais descontraída.

O jogo de tabuleiro criado pela Pushstart para a seleção de trainees da Americanas deste ano é um dos exemplos das novas ferramentas usadas durante os processos seletivos. Por meio do jogo, o candidato conhece toda a mecânica da empresa e, conforme resolve os desafios, anda as próximas casas, podendo também pedir ajuda para um gestor.

“Todas as etapas do nosso processo seletivo para trainee são gamificadas”, conta a gerente executiva de gente da Americanas, Flávia Picanço. O objetivo é fazer com que o candidato fique imerso e tenha a real experiência de como é trabalhar na organização. “Queremos passar um pouquinho do nosso DNA, de como funcionamos e quais são os desafios que temos aqui”, diz. Segundo ela, essa ludicidade permite ao processo uma colaboração e uma interação muito profunda entre os candidatos. Além de ajudar a tirar o nervosismo e ansiedade comum durante a jornada.

Presente nos processos seletivos para estágio e trainee de grandes empresas como a Ambev, Itaú, Pepsico e Americanas S.A, a PushStart foi fundada em 2014, e começou como um estúdio de games e animações, mas há quatro anos trabalha também com soluções em recrutamento e seleção. “Nascemos em um momento em que os processos seletivos estavam cada vez mais desconectados com a realidade da empresa e do candidato”, conta Felipe Marlon, sócio fundador da startup.

A empresa desenvolve jogos ao lado dos times das empresas e de consultorias. A companhia atua em duas frentes de trabalho. Na primeira, os candidatos conhecem a empresa a partir de uma experiência imersiva, seja por meio do KolabVerse – plataforma de interação onde os candidatos podem customizar e controlar seus avatares para explorar o universo da empresa – ou pelo formato Stories, inspirado nas redes sociais. Nesse ambiente, os candidatos assistem a vídeos de apresentação da empresa e participam de trilhas gamificadas com o objetivo de analisar o fit cultural e o lado lógico dos participantes.

A segunda frente é a Kolab Dynamics, uma plataforma destinada à realização de dinâmicas em grupo on-line. Com conteúdos personalizados, é possível simular um desafio específico da própria empresa e colocar os candidatos para debater e apresentar soluções. “Por meio da tecnologia, conseguimos levar desafios diferentes para cada candidato. Não é mais sobre certo ou errado”, destaca Felipe.

(Divulgação)

Com a mesma base tecnológica, a startup também usa jogos de escape room e formato tabuleiro. “Não é sobre ganhar o máximo de pontos e vencer o concorrente. A gente se conecta à mecânica, interatividade e storytelling dos games. Transformar cada uma das empresas com quem trabalhamos em algo único e divertido”, diz Marlon.

Ele salienta que toda a análise dos indicadores de desempenho é feita pela empresa recrutadora. As plataformas da PushStart funcionam como uma ferramenta e criam o ambiente imersivo para que as atividades sejam feitas de forma dinâmica, além de fazer com que a busca pelo perfil desejado seja mais assertiva.

Nesse contexto, a startup pode trabalhar ao lado de consultorias de recrutamento como a Cia de Talentos. No caso do processo seletivo para trainee da Unilever, por exemplo, foi criado um Stories Game. Através de vídeos em formato de story com colaboradores e gestores, os candidatos conheciam mais sobre a empresa e passavam por desafios de tomadas de decisão, baseados no dia a dia da multinacional.

Aderência entre empresa e candidato

Foi-se o tempo em que as habilidades técnicas eram as únicas responsáveis pela seleção de jovens talentos. Com as novas práticas de trabalho, a aderência entre empresa e candidato é um dos pré-requisitos mais importantes durante um processo seletivo.

No caso da Cia de Talentos, os mapeamentos iniciais avaliam valores, cultura e estilo de trabalho. Nesse contexto, as empresas podem trabalhar com poucos requisitos e abrir espaço para selecionar jovens de diferentes perfis e realidades. De acordo com Paula Esteves, sócia da consultoria, ao abrir mão de determinados requisitos e escolher novos critérios de avaliação, é possível garantir mais humanização e acessibilidade.

Isso também se reflete no aumento da procura pelos programas. O número de candidatos que participaram de processos seletivos pela empresa em 2021 cresceu 93% em relação a 2018. “Essa é a nova era dos trainees. As pessoas conseguem olhar para o programa e pensar que também pode ser para elas”, afirma.

As jornadas de desenvolvimento gamificadas também funcionam como ferramenta para melhorar a experiência do usuário durante o processo. A tecnologia torna as atividades mais dinâmicas e os candidatos podem aprender sobre a empresa e desenvolver competências de forma interativa.

“Não quero que o candidato se sinta em uma etapa de avaliação, mas em uma atividade em que ele toma decisões e resolve problemas, sem certo ou errado”, destaca.

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