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4 perguntas para fazer antes de negociar salário numa crise
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Em tempos de crise econômica, reestruturações e demissões cada vez mais frequentes, conversar sobre aumento de salário com o chefe parece uma ideia perigosa.

Mas não há motivo para ter medo do assunto, segundo João Xavier, diretor geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos.

“Ninguém está colocando o emprego em risco simplesmente por querer discutir a própria remuneração”, garante ele.

Para não azedar a relação com o seu empregador, a conversa deve ser conduzida de forma estratégica, claro – e isso a qualquer tempo. Se o momento econômico é difícil, a cautela é ainda mais bem-vinda.

De acordo com Xavier, o profissional deve dosar o seu grau de “agressividade” com base em dois indicadores: a situação financeira da empresa e o seu interesse em continuar trabalhando nela.

Se a sua decisão for pedir o aumento, você pode e deve sinalizar o seu interesse, desde que seja de forma aberta e propositiva, aconselha o especialista.

Na visão de Ricardo Tozetti, consultor da Hays, também é importante que a negociação aconteça na hora certa. “Trazer o assunto de forma brusca não é eficaz”, recomenda. “Espere uma ocasião mais formal, como a reunião mensal de feedback, por exemplo”, diz Tozetti.

Outro cuidado básico é se posicionar sobre o assunto diversas vezes ao longo do tempo. Segundo o consultor, a negociação é um processo, não um momento isolado. “É uma conversa que começa na hora da contratação e se prolonga indefinidamente”, explica.

A instabilidade econômica do país – e, consequentemente, do seu empregador – torna todo o processo ainda mais delicado do que o habitual. Por isso, antes de se pronunciar, é importante fazer algumas considerações. Veja a seguir:

1. Você merece o aumento? Mesmo?

Segundo Tozetti, se a empresa está em crise, será necessária ainda mais “munição” do que o normal para convencê-la de que você merece um aumento. Para chegar a argumentos convincentes, o primeiro passo é fazer uma autoavaliação cautelosa e crítica sobre o seu desempenho.

A dica de Xavier é reunir números que provem o seu desempenho ao longo do tempo, ou mesmo resultados qualitativos, como feedbacks positivos de clientes, por exemplo. Qualquer alegação que escape a isso não vale como justificativa.

2. Quais são as perspectivas dentro e fora da empresa?

Por mais que você tenha argumentos baseados no seu desempenho, é importante analisar o seu entorno. Qual é a remuneração praticada pelo mercado para profissionais com o mesmo cargo que o seu? Quanto ganham os melhores da sua área, e por quê? Para chegar a essas informações, Tozetti recomenda consultar ex-colegas de trabalho, ex-chefes, amigos da faculdade e tutores.

De acordo com Xavier, também vale avaliar o grau de dificuldade financeira do seu empregador. A crise é profunda ou pode arrefecer em curto ou médio prazo? As demissões têm sido sistemáticas ou pontuais? Se a situação der sinais de que pode melhorar em breve, a atitude mais estratégica pode ser simplesmente esperar.

3. Há outras recompensas possíveis?

Xavier diz que também vale refletir sobre o seu nível geral de satisfação com o emprego. Você tem uma relação saudável com o seu chefe? O clima é agradável? Os benefícios são bons? Você tem oportunidades de aprendizado e desenvolvimento?

Segundo o especialista, essa reflexão é essencial para definir o seu tom na negociação, ou mesmo para rever a própria necessidade de falar sobre o assunto. “No fim das contas, você pode concluir que é melhor permanecer com o mesmo salário, mas usufruir do resto”, diz ele.

4. Qual será o seu plano de ação?

Se, já feitas todas as considerações, a sua decisão for pedir um aumento apesar da crise financeira da empresa, o ideal é “comer pelas bordas”, aconselha Xavier.

Em vez de pedir tudo numa única reunião, é mais estratégico programar uma série de pequenas conversas sobre o assunto ao longo do tempo. “Não é o momento para ser ousado”, afirma o especialista.

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