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1º de abril: como recrutadores desmascaram mentirosos em entrevistas
Passado o Dia da Mentira, veja os principais pontos que recrutadores confrontam para pegar enganadores durante um processo seletivo
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(Thinkstock/gpointstudio)

Fluência no inglês, domínio total do pacote Office e passagens em boas empresas com cargos de alto escalão são algumas das mentiras que os recrutadores mais se deparam em currículos na hora de avaliar candidatos a vagas de emprego.

Seja uma mentira construída com a intenção de enganar ou uma supervalorização de algum atributo profissional, o fato é que diversas pessoas acabam perdendo ótimas oportunidades pelo simples fato de não ser sincero.

Em alguns casos, a mentira pode ser descoberta rapidamente, já que ao confrontar o currículo de um candidato com a suas falas na entrevista, muito do que foi falseado cai por terra.

Seja porque o candidato não se preparou para sustentar a própria mentira, seja porque o discurso é totalmente incoerente e desconexo. Outras vezes, o mentiroso ainda consegue ir mais longe, mas uma hora a verdade vem a tona.

Para todos os casos, Patrícia Faro, analista de Recrutamento e Seleção do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE One) é clara e direta: mentir para ganhar um emprego não vale a pena.

Neste Dia da Mentira, veja os principais pontos que recrutadores confrontam para pegar enganadores durante um processo seletivo e entenda o porquê da mentira não te levar para lugar algum.

Discrepância entre currículo e entrevista

Detectar discrepâncias entre o que foi escrito no currículo do candidato com as reais atribuições dos cargos citados é uma maneira simples de já detectar um problema com o candidato.

“Ao olhar o tempo e o conjunto de atividades, conseguimos perceber incoerências. Batemos as atividades realizada com os cargos descritos e já tiramos dai uma reposta”, explica.

Diferentemente do que muitos candidatos acham, uma entrevista de emprego não é necessariamente realizada para aferir as informações escritas no currículo, mas sim para aprofundar os conhecimentos do candidato e identificar pontos de atenção e desenvolvimento.

Ainda que não haja o modelo do currículo perfeito, Patrícia elenca alguns pontos em que profissionais podem ser apoiar: clareza de objetivo e histórico, apenas informações verdadeiras e precisas, fundamentação objetiva de habilidades e reais ambições e vontades.

Para uma entrevista perfeita, a especialista também tem importantes dicas.

“Fundamental ter domínio de todo seu histórico, de todo seu potencial, saber falar bem sobre as experiências que você obteve. Domínio absoluto de todas atividades, que ele transmita total a história que foi contada no currículo antes”, diz.

Nenhuma mentira é “simples”

Como explica Patrícia, candidatos alteram pequenos detalhes de uma posição/cargo ou supervalorizam algum conhecimento pensando que isso seria uma mentira sem muito significado real para a empresa contratante. Entretanto, muitas vezes é apenas por esse pequeno detalhe que a empresa está em busca de um profissional.

“Eles não entendem que aquele ponto, que pode parecer ‘simples’ para ele, para o lado da empresa pode ter muito significado”, explica.

Para exemplificar, se nas competências da vaga há a necessidade de um inglês fluente, é porque o idioma será muito utilizado no dia a dia daquela função e alguém sem esse domínio não terá como desempenhar esse trabalho.

Como pontua Patrícia, é comum ver candidatos que mentem no currículo apenas para passar essa fase inicial da triagem e poderem chegar na parte da entrevista.

“Desse cenário, a pessoa é consciente da mentira, mas ela quer ser chamada para uma entrevista, por exemplo. Passar pela triagem com um currículo bem mais elaborado. A entrevista é uma forma de garantir um elo de confiança, a principio ela já não vai se estabelecer se a pessoa mentir no currículo”, explica.

Em outros casos, o candidato acaba supervalorizando o seu papel em algum projeto de sucesso no passado, omitindo que esse sucesso veio do trabalho de uma equipe toda, ou pior, o candidato se apropria de um feito de outras pessoas na empresa anterior.

“Às vezes, no currículo a pessoa coloca uma meta ou uma conquista da equipe, mas na entrevista vamos aprofundar a participação do funcionário. Então perguntaremos coisas muito especificas, para poder mensurar o quanto ele fez para o projeto. Então se a pessoa não atuou tanto, ela não vai conseguir ter a capacidade de conseguir detalhar exatamente o que foi feito, e aí gera uma inconsistência”, explica a especialista.

Falta de experiência não é vergonha; mentir é

No fim de tudo, o importante é para um processo seletivo bem realizado é que o recrutador tenha acesso ao verdadeiro perfil do candidato, seja esse qual for. Muitos candidatos, em especial jovens que estão ingressando no mercado de trabalho agora, acabam mentindo por uma vergonha da própria falta de experiência.

Patrícia, que também é especialista na contratação de jovens estagiários, explica que é comum que jovens acabem por copiar habilidades de outros colegas de turma, por exemplo, pela falta de um emprego formal ou pela pura inexperiência com o mercado de trabalho em si.

“Em geral, é insegurança em relação ao seu próprio histórico profissional. Mascarar a realidade por falta de conforto com o que a pessoa já realizou”, diz. Há, porém, outro lado nessa história: muitas vezes, uma experiência considerada “informal” pode ser de grande importância para a empresa, mesmo que faltem referências profissionais.

“É comum vermos casos de candidatos que deixam de colocar informações que podem ser relevantes, evitando colocar no currículo experiências que não tenham a ver com a parte profissional ou acadêmica, seja uma atividade extracurricular ou uma participação em um grêmio estudantil, por exemplo”, diz.

Mesmo em vídeo, o corpo entrega

Com a pandemia, a maior parte dos processos seletivos migrou para o ambiente digital e entrevistas presenciais foram substituídas por uma chamada via webcam. Mesmo assim, os recrutadores continuam atentos a sinais que possam indicar alguma instabilidade do candidato.

“Quando vemos que um candidato não consegue responder uma coisa um pouco mais complexa, que só foi perguntada por causa do que está escrito no seu currículo, é perceptível a mudança. Seja o desvio de olhar, a retração da posição, um esfregar de mãos. O discurso pode até sair de alguma forma, mas a própria linguagem corporal engana”, diz Patrícia.

Mesmo contratado, mentir não te leva longe

Patrícia reconhece que um mentiroso muito habilidoso ou uma pessoa extremamente manipuladora pode sim acabar passando e sendo contratado por uma empresa mesmo mentindo e enganando times de recrutamento.

Entretanto, a especialista entende que esse caminho, além de ser sem volta, não leva o profissional a lugar algum.

“Entrar em uma empresa, significar estar alinhado com a cultura e os valores dessa empresa. No longo prazo, o desgaste para esse profissional será tamanho, que torna sua permanência inviável e pode acabar por fechar muitas oportunidades para sempre”, diz a recrutadora.

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