Os tipos mais comuns das festas de fim de ano da empresa

O Globo

O fim de ano se aproxima e, com ele, a temporada de festas de confraternização, seja a promovida pela empresa ou por clientes. E, nesse momento, todo cuidado é pouco para não manchar a reputação construída durante o ano inteiro na empresa. De acordo com a coach e gestora de carreira Waleska Farias, infelizmente, muitos profissionais insistem em fazer dessas festas um momento de revelações bombásticas: tudo aquilo que o funcionário não ousou fazer o ano inteiro resolve fazer de uma só vez, sem se dar conta de que “estar na festa da firma é o mesmo que estar na empresa”.

De acordo com a consultora, na festa da firma, a principal recomendação é uma dose extra de bom senso. A despeito das pessoas estarem vestidas com trajes mais informais e agindo de forma mais descontraída, o chefe continua sendo chefe e os subordinados, idem, diz Waleska:

— Portanto, não convém fazer da comemoração um momento de “faz de conta”, onde todos são “melhores amigos”, e que a intimidade do momento oferece salvaguarda para fazer “DR” (discutir relação) do que não foi dito e ficou sufocado o ano inteiro.

Waleska ressalta que a festa de fim de ano da firma é uma oportunidade para confraternizar e conhecer um pouco melhor o lado pessoal e divertido daquelas pessoas com quem você convive diariamente no escritório, o que oferece a oportunidade de aproximação com os demais funcionários. Mas, claro, sem exagero.

— Tudo na justa medida para que a oportunidade não seja desperdiçada e o tiro não saia pela culatra deixando o funcionário em maus lençóis ou pior: no olho da rua — conclui a coach.

Segundo a consultora, é preciso tomar cuidado para não incorporar alguns estereótipos comuns de quem “perde a linha” na festa de confraternização da empresa. Ela analisa cada um desses perfis e dá dicas para evitar vexames e saias justas diante do chefe, de colegas e clientes. Confira:

A “periguete”

É aquela que confunde o dress code casual com roupa de balada, sexy e, muitas vezes, vulgar. Aqui começa a indicação da dose extra de bom senso, lembra? Evite roupas ao estilo “vestida para matar”: muito curtas, decotadas e saltos muito altos. Passe longe dos modelitos extravagantes. Isso vale tanto para as mulheres como para os homens.

— Apesar de ser clima de festa, o ambiente ainda é de trabalho e a chefia está de olho nas suas maneiras — explica Waleska.

A atitude também conta, diz a consultora: fazer duetos agarrada ao pescoço do melhor amigo, dançar funk até o chão e lançar olhares sensuais para o gerente do seu departamento é completamente vetado.

O “bêbado”

Uma dos piores personagens é o “bebum de fim de ano”. Tudo o que não bebeu o ano inteiro se reserva o direito de beber justamente na festa da firma. Exagerar na bebida pega mal em qualquer ambiente social, mas na festa da empresa é completamente condenado. Além de ser extremamente deselegante falar enrolado, sair tropeçando ou dar uma cantada no(a) colega de trabalho, você ainda corre o risco de falar mais do que devia e resolver “desabafar”, falando mal do chefe, de outros funcionários ou da empresa.

— Já existiram casos em que colaboradores foram demitidos na primeira oportunidade devido a suas extravagâncias e excessos na festa da firma. As pessoas estarão de olho na medida da sua bebida — relata Waleska.

O antissocial

A equipe inteira de trabalho está confraternizando e aquele indivíduo está sentado sozinho na mesa observando os outros, sem esboçar o menor interesse em integrar-se com o grupo. As habilidades sociais em eventos da empresa também são levadas em consideração na hora de avaliar a disponibilidade do funcionário para interagir com o grupo, explica a coach:

— Uma pessoa distante, indisponível para se relacionar com os colegas numa confraternização de final de ano da empresa, provavelmente também terá dificuldade de desenvolver em equipe no ambiente corporativo, onde o bom relacionamento é fundamental para composição dos resultados em conjunto.

O íntimo

O ambiente de festa é informal, o clima é de descontração e há espaço para brincadeiras. Porém, é preciso tomar cuidado com a intimidade excessiva, especialmente depois de alguns drinques. A linha entre brincadeira e inconveniência é bastante tênue e aqueles que extrapolam os limites do bom senso correm o risco de ficar conhecidos como os “sem noção” da empresa. Evite tocar demais, falar muito, gesticular além da conta perto das pessoas e fazer comentários muito pessoais sobre seus colegas de trabalho para aparentar proximidade. Pior que o “sem noção” é o “sem noção pegajoso”.

O oportunista

O oportunista vê a festa da firma como um trampolim. O momento ideal para se aproximar do chefe para fazer o “vide bula” e pleitear a sonhada promoção. Então, desanda a falar de todos os seus projetos de sucesso, de como acredita na empresa, do papel fundamental do chefe no seu desenvolvimento e do seu comprometimento com a empresa. Nesses casos, o tiro sempre acaba saindo pela culatra e o despropósito acaba contando contra o “oportunista”, pois o chefe está num momento de descontração e relaxamento, e tudo o que ele menos quer é falar de promoção e recompensas nessa hora.

— Se o colaborador acha que merece uma promoção, deve falar no ambiente de trabalho ou em momento mais oportuno, quando o chefe desempenha o seu papel e se dispõe a ouvi-lo expor as razões pelas quais merece um reconhecimento ou recompensa.

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