Nunca a Austrália recebeu tantos estudantes brasileiros


O número de estudantes brasileiros indo para Austrália bateu recorde no ano passado. Entre 1 julho de 2015 e 30 de junho de 2016 (ano fiscal), o governo recebeu mais 11 mil estudantes brasileiros com matrículas cursos no país, um crescimento de 21,7 %.

“O Brasil continua firme como o 3º. país que mais envia estudantes, só perdendo para China (1º) e Índia (2º)”, diz MaCson Queiroz, diretor da M.Quality, assessoria em imigração e negócios para a Austrália.

Com exceção do período entre 2010 e 2011, o número de brasileiros por lá só tem crescido, segundo informações coletadas no departamento de imigração australiano (DIBP):

Ano fiscal Número de brasileiros Variação anual %
2010-11 5378 -9,10%
2011-12 5627 4,60%
2012-13 6958 23,60%
2013-14 7888 13,40%
2014-15 9222 16,90%
2015-16 11226 21,70%

Segundo Queiroz, a política de imigração que facilita a ida do imigrante seja para trabalhar na Austrália ou para intercâmbio é o principal atrativo. O país, por exemplo, estimula a imigração de profissionais qualificados para funções que têm grande demanda.

No site de imigração é possível descobrir quais são as profissões que estão na lista publicada anualmente no mês de julho e as diferentes modalidades de estímulo.

Para os estudantes, a permissão de trabalho por 20 horas por semana e por tempo ilimitado durante o tempo de férias é um dos pontos mais festejados. O visto de estudante é voltado para quem se matricula qualquer curso que tenha duração maior do que 12 semanas, de inglês a doutorado, por exemplo.

“Você poderá estar por apenas um período de quatro meses estudando inglês, ou por seis anos para concluir o seu mestrado, e você terá direito ao trabalho”, diz o diretor da M.Quality.

Como conseguir o visto de estudante

Os candidatos a visto de estudante precisam comprovar a matrícula em curso em tempo integral que tenha mais de 12 semanas de duração. Para curso mais rápidos o visto concedido é de turismo que dura três meses.

Ao pedir o visto de estudante, também é preciso dizer os motivos que o levaram a estudar no país. “Não pode ter antecedentes criminais significantes, é preciso estar saudável e, se for solteiro, provar que possui uma capacidade financeira para os seus primeiros 12 meses de Austrália de um mínimo de 19.830 dólares australianos”, diz Queiroz. Não há limite de idade.

No site da embaixada da Austrália, há mais informações sobre como conseguir o visto e também a respeito de como incluir dependentes familiares no pedido.

A M.Quality também dá orientação gratuita básica para quem quer entender em qual categoria de visto é melhor se enquadrar, a partir do preenchimento de um formulário em seu site.

Em relação às agências de intercâmbio, Queiroz faz um alerta: “ o interessado em estudar na Austrália deve ser muito cauteloso ao escolher e contratar os serviços de uma agência, já que terá de fazer vários pagamentos adiantados em quantias substanciais antes de receber a resposta do seu pedido de visto ao governo australiano”, diz.

Ele conta que em janeiro deste ano dezenas de brasileiros foram fraudados por uma agência de intercambio e isto fez com que a Embaixada da Austrália no Brasil colocasse na primeira página do seu site um guia advertindo os brasileiros que existem algumas agências de intercambio que não atuam licitamente.

Por estarem grande parte dessas agências fora da jurisdição do governo australiano, ele informa que não pode obrigar que as empresas reembolsem as vítimas.

A única maneira de garantir reembolso dos valores pagos caso alguma fraude seja cometida é contratando os serviços de uma agência de imigração e intercâmbio, legalmente registrada no departamento de imigração (DIBP).

No site do OMARA (The Office of the Migration Agents Registration Authorit) é possível fazer essa checagem. “Se o resultado da pesquisa der como registrado, você pode contratar o serviço com a segurança e garantia do governo australiano de que estará protegido”, diz Queiroz.

Os cursos e os destinos que mais atraem os brasileiros

Sydney, Melbourne, Brisbane e Gold Coast são as cidades mais atraentes aos olhos dos brasileiros na Austrália. Segundo Queiroz, é porque são praianas e têm boa oferta de empregos. “A união feliz do útil ao agradável que satisfaz a maioria dos brasileiros na Austrália”, diz.

Grande parte dos interessados em estudar no país querem aperfeiçoar as habilidades de inglês antes de começar um curso, geralmente de duração que não ultrapassa dois anos. Negócios, marketing, tecnologia e administração são os temas que fazem mais sucessos.

As áreas que mais empregam brasileiros

“Geralmente os brasileiros trabalham nas áreas do comércio, restaurantes, hotéis, limpeza e construção civil”, diz Queiroz. Quem trabalha em comércio e em hotéis geralmente recebe o salário mínimo por hora que é de 20 dólares australianos (47 reais, na cotação de 2,39 de sexta-feira, 24), segundo o diretor da M.Quality.

“Serviços nas áreas de limpeza, restaurantes e construção civil pagam acima deste valor aos brasileiros”, afirma. Um estudante trabalhando como ajudante geral na construção civil não ganha menos do que 35 dólares australianos a hora. (83,65 reais).

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