As lições da Copa do Mundo para a sua carreira

Exame

Não só um espetáculo de mídia, entretenimento e futebol. A Copa do Mundo é também um celeiro de experimentação de diferentes estratégias para a vitória.

Algumas dão certo, outras levam ao fracasso de jogadores e equipes de futebol. E qualquer semelhança com o que ocorre mundo corporativo não é mera coincidência.

Afinal, todo profissional, interessado em crescer na carreira, ou seja, vencer, precisa lançar mão de um plano de ação ousado e saber que cada decisão tomada traz seus riscos.

É o que ocorre com equipes, jogadores e técnicos das seleções durante a Copa do Mundo. A seguir confira os paralelos traçados pelo sócio da Ynner Treinamentos, Yuri Trafane, entre fatos marcantes da história das copas e lições de carreira que valem para qualquer profissional:

1 Vicente Feola e o primeiro título do Brasil

Fato: o primeiro título mundial do Brasil teve um importante maestro. O técnico Vicente Feola ficou conhecido por dar liberdade para craques como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Pepe (entre outras lendas dos campos), jogarem dentro de suas características.

Lição de carreira: “Se tem gente tão inteligente na equipe por que não dar liberdade para cada um manifestar o seu estilo?”, pergunta Yuri Trafane.

Ele cita o autor e consultor Jim Collins que explica o significado da palavra gerenciar. “É encontrar gente boa e deixar trabalhar em paz”, diz. Feola montou uma equipe de craques, criou um clima agradável e os deixou jogar bola, que era o que eles sabiam fazer, lembra Trafane.

2 O corte de Romário da seleção de 2002

Fato: Apesar de protestos da torcida, Felipão deixou Romário de fora da seleção brasileira na Copa de 2002. “O Romário era inquestionável do ponto de vista técnico, mas era desagregador em seu comportamento”, diz Trafane. A seleção ficou conhecida como a Família Scolari e ganhou a Copa.

Lição de carreira: “A primeira lição que fica é a troca da qualidade técnica pela qualidade social de um grupo”, diz Trafane. Não adianta ter um profissional excelente no grupo se ele atrapalha seus colegas de trabalho.

“A segunda lição está relacionada à capacidade de arriscar de um chefe. Felipão não se deixou levar pelo apelo da população e se manteve firme a sua crença, disposto a correr o risco de não ganhar a Copa”, explica.

3 A “ressurreição” de Ronaldo Fenômeno

Fato: A grave lesão no joelho em 2000 fez com que muita gente acreditasse que era o fim da carreira de Ronaldo Fenômeno no futebol. Ele ficou 15 meses sem jogar. Mas foi convocado para a Copa do Mundo de 2002, mesmo desacreditado, sendo a grande estrela e o artilheiro da competição.

Lição de carreira: “Mesmo tendo sido dado como morto para o futebol, Ronaldo foi paciente, perseverou e continuou trabalhando”, diz Trafane. O grande ponto é não se deixar levar pela opinião dos outros, segundo o especialista. “A Apple, antes da volta do Steve Jobs, também tinha sido dada como morta, mas inovou e reinventou o conceito de computador por meio do design”, diz Trafane.

4 A arrogância do goleiro alemão Oliver Khan

Fato: O excesso de confiança do goleiro alemão Oliver Khan e a falhas cometidas na final da Copa, que custaram o título à Alemanha. Eleito melhor jogador do campeonato às vésperas da final, ele entrou em campo confiante (demais). Para alegria dos brasileiros, o goleiro chamado de “muralha” desmoronou e tomou dois gols no jogo. Nas 6 partidas que precederam a final, a bola havia passado por ele apenas uma vez, contra a Irlanda.

Lição de carreira: “Ao se considerar imbatível, o profissional corre o risco de relaxar em um nível que faz com que ele perca a vigilância”, diz Trafane. Citando o livro de Jim Collins “Como os Gigantes Caem”, o especialista lembra que a arrogância é um passo em direção à derrocada de profissionais brilhantes e empresas de sucesso.

5 O disciplinado futebol inglês (que não vence)

Fato: O futebol da seleção inglesa é sempre organizado, disciplinado e competitivo, mas só saiu vitorioso, uma vez, na Copa do MUndo de 1966, realizada na própria Inglaterra.

Lição de carreira: Em ambientes competitivos, não basta fazer a coisa certa, é preciso um “quê” de talento, de criatividade. “Falta o toque de genialidade, de latinidade à seleção inglesa. É como se ela fosse a seleção da Espanha, só que sem talento”, diz Trafane. Fazer tudo certinho (e só), diz o especialista, não funciona.

6 A cabeçada de Zidane em 2006

Fato: Zinedine Zidane, o astro da seleção francesa em 2006, ao escutar uma provocação do jogador italiano Marco Materazzi, deu-lhe uma cabeçada e foi expulso de campo. A França perdeu o jogo e a imagem do fato rodou o mundo.

Lição de carreira: Atitudes tomadas por impulso trazem grandes prejuízos, inimigos e manchas para a carreira. “O que fica para a história das copas é a imagem de desequilíbrio emocional do Zidane, embora seja até possível entender a sua atitude naquele momento. Mas ninguém ouviu a provocação feita por Materazzi e todo mundo viu a cabeçada”, diz Trafane.

7 O talento coletivo da seleção espanhola

Fato: A vitória da seleção espanhola na Copa do Mundo de 2010, resultado da combinação entre talento individual e coletivo. “Os espanhóis apresentaram um futebol organizado, como é o estilo europeu, mas com talento nos moldes sulamericanos”, diz Yuri Trafane.

Lição de carreira: A sinergia entre a equipe é essencial para o bom resultado do trabalho. De acordo com o especialista, o sucesso chega quando todos os membros da equipe estão comprometidos em dar o melhor de si e também estão “remando”, em grupo, na mesma direção.

8 A renovação da seleção alemã

Fato: A seleção alemã está renovada e tem sido apontada como uma das favoritas ao título da Copa do Mundo neste ano. “A Alemanha abriu mão de jogadores tradicionais”, diz Trafane.

Lição de carreira: É preciso saber formar sucessores e isto é um processo que começa enquanto com o profissional “veterano” ainda está dando resultados. Ao fazer isso, é normal que, durante o período inicial, haja perda de qualidade, segundo Trafane. Além disso, o especialista destaca a importância da renovação frequente na carreira.

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