Dicas para fazer o recrutador ‘virar a cadeira’ para um candidato

O Globo



No The Voice, reality show com novas edições sendo realizadas atualmente no Brasil e nos Estados Unidos, o talento é o protagonista, já que a escolha do participante depende apenas do impacto causado pela voz nos jurados. Em um processo seletivo para uma vaga do mercado de trabalho, a escolha também começa meio às cegas, com recrutador tendo em mãos apenas as características técnicas obtidas através do currículo.

Na opinião de Ylana Miller, sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec, da mesma forma que no programa, em um processo de seleção, o protagonista é o candidato, que será escolhido quando suas habilidades e atitudes estiverem alinhadas ao perfil da vaga em aberto.

— A comunicação é uma competência essencial para impressionar e “vender” sua marca pessoal — ressalta.

A especialista afirma que, com certeza, “viraria a cadeira” para candidatos com alto potencial em liderança, que se comunicam bem, que demonstram abertura a novos aprendizados e investem no seu autodesenvolvimento. E o mais importante: estaria atenta a pessoas éticas, íntegras e que se relacionam com respeito.

Já Angélica Nogueira, gerente de RH da Catho, o profissional que demonstra segurança ao relatar sua trajetória profissional e os resultados alcançados certamente faz um recrutador se interessar e prestar atenção. Além disso, ao ficar frente a frente com o entrevistador, o candidato deve mostrar-se motivado em fazer parte do time e com os desafios propostos pela vaga.

Mas, segundo a Catho, enquanto no primeiro momento o recrutador tem algumas informações para dar partida ao processo de escolha do profissional que mais se encaixa na vaga em aberto, o mesmo não acontece, pelo menos na maioria das vezes, com relação ao candidato, que não imagina quem pode ser o seu entrevistador. Já no caso do programa, aqueles que se apresentam têm pelo menos uma leve ideia do perfil de cada técnico, que não foge muito dos profissionais encontrados nas empresas em modo geral, como mostra a Catho.

O cantor Daniel, por exemplo, poderia ser comparado ao recrutador tradicional, mais conservador: demora a escolher, mas vira sempre consciente. Lulu Santos é bem criterioso e tem um aspecto claro de ”desenvolvedor”, pois, mesmo quando o candidato não é aproado, procura motivá-lo e apontar os pontos onde pode melhorar para uma próxima oportunidade. Carlinhos Brown, por sua vez, procura perfis bem específicos. Não importa em incluir estilos completamente diferentes, nem em propor desafios. Ele busca realmente o ”algo mais”, que realmente será notado com destaque mais para frente. Já Claudia Leite é toda coração: muitas vezes, acaba deixando o lado emocional fluir mais.

Na vida real, no entanto, nem sempre é possível obter informações antecipadas do recrutador, mas o candidato pode se preparar para as entrevistas conhecendo mais sobre a empresa em que deseja trabalhar. Mas não é só isso: saber usar a voz — como no caso dos candidatos do The Voice — também conta pontos na hora do processo de seleção e, posteriormente, na evolução da carreira. Segundo especialistas das áreas de neurolinguística e oratória, profissionais que trabalham com a voz e sabem usá-la e projetá-la, acabam dominando o ambiente, a situação, e chamam a atenção de colegas, gestores e clientes.

De acordo com os especialistas da Catho, algumas atitudes vão ajudar o recrutador a “virar a cadeira” e prestar atenção no candidato. Saiba quais são elas:

— Vale impressionar desde o primeiro contato. Por isso, prepare um currículo que ”venda bem” suas qualificações e que exponha de maneira objetiva os pontos fortes de sua carreira.

— Demonstre que está disposto a encarar novos desafios que proporcionem o crescimento profissional e que propriciem novos conhecimentos.

— Mostre que está sempre em busca de aprimoramento em relação às demandas e inovações da área de interesse. Profissionais que buscam atualização promovem melhorias e são bem visto pelos recrutadores.

— Indique o que será capaz de fazer pela nova empresa, dê exemplos de participações em grandes projetos e resultados que conquistou em experiências anteriores, ressaltando, assim, seu potencial para trazer bons resultados.

— Durante a entrevista, sempre que possível, complemente a resposta com algum exemplo concreto, bem sucedido, vivenciado em sua carreira que comprove tal colocação. Esta iniciativa dá credibilidade às argumentações.

— Demonstre que tem objetivos em relação à carreira, que estabeleceu metas e que tem uma boa definição do caminho que pretende seguir para alcançá-las.

— Durante a conversa com o recrutador, demonstra toda a sua energia e disposição para trabalhar e transmita entusiasmo.

— Revele o melhor de si, de maneira transparente e honesta, usando sempre o bom sendo e mantendo a autoconfiança.

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