Como não passar vergonha na hora de fazer networking


É uma verdade universalmente conhecida entre especialistas que um profissional em busca de um emprego, e em posse de uma grande rede de contatos, deve conseguir uma boa indicação.

Se você tem vergonha de fazer networking e já desistiu da sua rede, talvez seja hora de repensar. Em tempos difíceis, essa habilidade pode ajudar a abrir novas portas e alçar sua carreira.

Pedir por uma ajuda a desconhecidos pode levar a momentos embaraçosos e gafes, mas Marcia Oliveira, consultora de carreira sênior na Produtive, garante que existem barreiras ao uso do networking que podem ser vencidas na prática.

Sua primeira dica é começar pequeno. Em vez de entrar em contato com o fundador da empresa que tem interesse, treinar a aproximação de contatos menos distantes, como colegas da faculdade, amigos e parentes.

Maiores constrangimentos podem ocorrer por razões emocionais. “Essa vergonha pode ser gerada por crenças limitantes, que dificultam um processo que é natural. Muitas vezes as pessoas têm receio de pedir um favor e parecer frágil, têm receio de receber um não ou têm baixa tolerância à frustração”, explica.

O remédio para esse constrangimento é a consciência do valor oferecido na relação com o outro.

Segundo Robert Wong, presidente da Havik, muitos se esquecem de que o bom networking representa um ganho para os dois lados. Assim, é preciso estabelecer um equilíbrio entre o seu interesse e também o que você pode oferecer em troca.

“Networking é um modelo mental. Não é apenas para buscar emprego, mas é uma prática de troca de informação, benchmarking, aprimoramento de conhecimento, geração de negócio e solução de problemas. Alcançar seus objetivos fica mais fácil se tiver feito sua lição de casa todos os dias”, explica Marcia.

Wong reforça a ideia da consultora: “Criar o networking é o mais fácil, mas manter a rede é uma arte”.

O trabalho de manutenção das relações para fazer um bom networking deve ser constante. Isso pode poupar a vergonha de retomar o contato com um colega de trabalho com quem não fala há anos.

“Se não se falam há anos, a falta de contato é recíproca. Se feito com elegância, não será difícil conversar com a pessoa e pode ser até um prazer para ambos”, fala a consultora.

Hoje, essa manutenção pode ser feita online, por meio do LinkedIn. Os especialistas recomendam não forçar o contato ou mandar uma mensagem em massa para todos na rede. Práticas assim podem ser recebidas como desrespeitosas e impessoais.

Pequenos gestos que demonstram interesse pela vida das pessoas contam mais, como mandar um artigo que o lembrou de uma conversa entre vocês ou uma mensagem no aniversário.

Isso contribui para que os mecanismos da rede estejam funcionando bem. Todos sabem que o profissional está ali, disponível e relevante.

Os especialistas ainda concordam que os pequenos tropeços serão naturais. É meio chato encontrar um contato que deu um sumiço. Também é complicado quando estranhos pedem recomendações e solicitações pelo Linkedin.

Esses constrangimentos podem ser superados, mas fica difícil se recuperar da maior gafe de todas: não saber o que quer.

“Se peço para a pessoa descrever a si mesma em 1 minuto, muitos não sabem o que falar. Você precisa ter conteúdo para fazer networking e fazer com que o outro tenha curiosidade e interesse por você também. Fica mais simples quando sabemos responder o que quero, por que quero aquilo e por que o outro vai querer”, explica Wong.

A conversa pode ficar difícil para todos os envolvidos sem um objetivo claro para a interação.

Para Marcia Oliveira, o importante é não deixar de agir de forma proativa por vergonha, sendo atento ao ato em si. Todos podem ser mais habilidosos com suas redes, mas isso leva tempo e esforço. Então, melhor mandar a primeira mensagem agora.

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