Celebrar casamentos vira opção de carreira

Conheça novos tipos de cerimônia


Cerimônia de casamento é sempre igual? Se você pensou em responder ‘sim’, saiba que as coisas mudaram. Com eventos cada vez mais personalizados, ganham cena celebrações em que a bênção é dada por amigos dos noivos e também por celebrantes.

Quem procura esse tipo de profissional são noivos que desejam casar fora de templos religiosos ou que têm religiões distintas, casais gays e aqueles que sonham com algo mais intimista, mas, ao mesmo tempo, não amador.

Boa parte dos celebrantes começa informalmente, depois de um convite feito por um amigo ou familiar que vai se casar. A alta dos casamentos em praias, restaurantes e fazendas impulsiona o ofício.

Foi o que aconteceu com um rosto conhecido da TV, a ex-repórter do Vídeo Show e do Mais Você (TV Globo) Geovanna Tominaga, que hoje comanda a Celebrando Amor.

Após realizar a cerimônia de amigos, Geovanna resolveu usar a desenvoltura adquirida em anos de TV –ela também é jornalista– para criar a empresa. Seu principal diferencial, ressalta, é a personalização, característica que ela preserva desde os primeiros noivos que casou profissionalmente, Rogério e Vinícius, no início do ano.

Rogério e Vinícius foram os primeiros noivos de Geovanna como profissional de casamentos

“Faço encontros com os casais e conversamos muito sobre a cerimônia, sobre os valores de vida e sonhos. Procuro saber todos os detalhes de cada história de amor para poder escrever um texto bem personalizado. Vai muito além de um questionário, porque a forma de falar e a atitude falam mais sobre o casal do que eles imaginam. Reúno todas essas informações e sensações, faço pesquisas de referências e só depois parto para a escrita. Depois disso, todos recebem o material criado para eles em casa, para guardar e recordar”, explica Tominaga.

A celebrante diz ainda que dedica um bom tempo às histórias dos casais, assistindo a filmes e até lendo os livros prediletos dos noivos, para que tudo seja o mais singular possível. De uma coisa, porém, ela não abre mão de repetir em todas as cerimônias: o momento dos votos dos noivos.

Geovanna, que se casou neste mês em uma cerimônia íntima realizada por um diácono católico, não deixou de se declarar ao noivo, Eduardo Duarte. “Não podem faltar as juras de amor e o compromisso que os dois assumem naquele momento diante das pessoas queridas. Que seja eterno o que faz bem!”, diz.

Embora a carreira inicial de Geovanna já envolvesse público, essa não é uma característica necessária para os celebrantes que encaram a nova profissão como plano B. É o caso do engenheiro paulista Flavio Garcia, 27, que não deixou o trabalho, mas resolveu dividir o tempo entre a mesa do escritório e os altares floridos.

A voz grave e o interesse pela oratória levaram Garcia para a sala de aula. “Lembro-me de ter chegado em casa depois de um curso de celebrantes e falei para a minha esposa: ‘É o que quero fazer, eu nunca senti isso na minha vida’. A partir daí, comecei a tratar as celebrações como uma profissão, investindo em divulgação, estudos, site e perfis profissionais nas redes sociais”, explica.

Falar bem não é o único requisito para comandar cerimônias profissionalmente hoje em dia: é preciso conhecimentos específicos para atender à demanda por casamentos cheios rituais –moda entre noivos. Garcia conta que, embora não seja o seu foco, realiza cerimônias com simbologias. Veja abaixo opções que são tendências do momento:

MODELOS DE CELEBRAÇÕES

Cerimônia das velas

Para realizar essa cerimônia é preciso ter 3 velas. Uma simbolizará a família da noiva, a outra, a do noivo; a terceira, a nova família. Um familiar de cada lado (ou os próprios noivos) acende as duas primeiras velas para que as chamas ativem a vela central.

Cerimônia celta

A cerimônia celta é sempre celebrada por mulheres, que retomam a posição de uma sacerdotisa milenar. No Brasil, há inúmeras adaptações de rituais celtas, grande parte delas usa elementos da natureza para representar a relação do casal.

Cerimônia das areias

Cada um dos noivos segura um vaso com areia de cores distintas. Eles depositam o conteúdo em outro vaso, misturando as cores de uma maneira inseparável, para expressar a união da nova vida.

Ritual da árvore

Pais e padrinhos participam do rito. Os primeiros plantam a semente, enquanto os outros colocam adubo. Por fim, os noivos regam. A representação aqui é da participação dos mais queridos no crescimento saudável da nova família.

Rito da caixa ou cápsula do tempo

Em uma caixa pais e padrinhos depositam mensagens positivas, desejos e até conselhos ao casal. Os noivos prometem recorrer ao baú quando as dificuldades da vida a dois se impuserem. Algumas cerimônias incluem um vinho na caixa, para os noivos beberem juntos.

Cerimônia ecumênica

Quando os noivos são de religiões diferentes ou não querem privilegiar uma delas, é comum chamar celebrantes de diferentes denominações para uma bênção inter-religiosa.

Ritual do vinho

Cada um dos noivos tem uma taça: uma com vinho branco e outra com vinho tinto. Ambos experimentam os vinhos e depositam o restante em uma taça vazia. A pedido do celebrante os noivos bebem a mistura e contam o que sentiram. A ideia é começar a experimentar os sabores da nova união.

Cerimônia da rosa

Durante a troca das alianças, o noivo entrega uma rosa para noiva, como símbolo do compromisso e do amor. O intuito é mostrar que a flor não pode sobreviver sem a água, assim como o casamento não sobrevive sem amor.

CHECK-LIST DO CONTRATANTE

Se você se interessou por algum modelo de cerimônia, antes de contratar um celebrante, tome nota de algumas dicas:

  • Procure assistir a um casamento feito pelo profissional, ao menos por vídeo;
  • Se sonha com uma cerimônia mística ou que envolva crenças, procure alguém que entenda do assunto;
  • Se contratar uma cerimonialista, coloque-a em contato com o celebrante com antecedência para que combinem entrada de pais, padrinhos, alianças e mais detalhes da cerimônia;
  • Converse com o celebrante sobre o tempo de duração que quer para a cerimônia.
REGULAMENTAÇÃO E VALORES

Apesar do aparente crescimento do setor de celebrantes, a Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos) afirma que não há estimativa de quantos profissionais atuam no país. Em 2017, o deputado Aldo Demarchi (DEM-SP) indicou à Assembleia Legislativa de São Paulo um projeto de lei para regulamentar o trabalho, mas não há previsão para que o documento seja analisado ou acolhido, informa a assessoria do político.

Também não é possível mensurar uma média de valores cobrados por celebrantes pelo Brasil. Geovana Tominaga diz que o valor depende de fatores como dia da semana do casamento e distância. Flávio Garcia, por sua vez, cobra a partir de R$ 1.200.

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