Brasileiro não consegue emprego na Austrália por racismo

O Globo

O brasileiro naturalizado australiano, Nilson dos Santos, é mais uma vítima de discriminação racial. De acordo com reportagem publicada domingo pelo jornal The Daily Mail Australia, Santos conta que foi recusado para uma vaga de barista no restaurante ‘Forbes & Burton’, localizado em Darlinghurst, nos arredores de Sydney, porque, segundo o dono, seus clientes não gostariam que seu café fosse feito por negros, mas sim por habitantes locais.

O mais surpreendente é que o proprietário do café, que se identificou apenas como Steven, não é natural da Austrália, e sim de Xangai, na China, de onde partiu no ano passado. Ao dar entrevista ao Daily Mail Australia, Steven admitiu que o fato de Santos ser negro foi a principal razão por ele não ter lhe dado o emprego.

“Há um monte de clientes brancos no café e eu acho que eles preferem ser servidos por cidadãos locais, e não por afrodescendentes”, disse Steven.

Ao ser informado que não tinha o perfil ideal para o trabalho, Santos, de 39 anos, se levantou, dirigiu-se aos clientes e perguntou se teriam algum problema em ser servido por um homem negro:

“Desculpe-me, eu não quero incomodar, mas eu pedi um emprego e este senhor me disse que não sirvo porque sou negro e pessoas negras não devem fazer café para os brancos”.

Indignados e solidários, muitos deles deixaram o restaurante em sinal de protesto. Até mesmo um funcionário pediu demissão. O caso chegou às redes sociais, onde outros clientes reclamaram da atitude do proprietário e pediram que as pessoas deixassem de frequentar o Forbes & Burton.

“Vou deixar de ser cliente daqui”, escreveu Luke O’Dowd na página do Forbes & Burton no Facebook.

O brasileiro, que se naturalizou australiano há pouco tempo, trabalhou por nove anos como barista em Sydney.

“Nunca experimentei nada parecido com isso na Austrália. Eu amo isso aqui, me sinto livre, e é por isso que eu escolhi ficar na Austrália, onde sempre me senti acolhido e aceito. Para mim, o fato de ser negro nunca foi um problema. Eu estou procurando um emprego de barista, por isso agendei uma entrevista depois que vi o anúncio. No telefone, ele (Steven) me perguntou de onde eu era, e disse que era brasileiro”’, contou Santos, que se naturalizou australiano há pouco tempo e já havia trabalhado como barista por nove anos em Sydney.

Num primeiro momento, Santos disse não saber como reagir, não pelo fato de não ter conseguido o emprego, mas pela discriminação:

“Eu pensei comigo mesmo, o que eu faço? Eu queria dar um soco nele, mas eu vi que se reagisse mal, não estaria fazendo a coisa certa e perderia a razão”, disse ao The Daily Mail Australia. “Mas seu eu virasse e saísse, ele faria a mesma coisa de novo com outras pessoas. Então, senti que tinha que fazer algo para mostrar que ele estava errado e precisava aprender a lição, que esta não é a maneira correta de tratar as pessoas”.

Comments (1)

Você agiu corretamente. Teria feito o mesmo. Não podemos ignorar estas situações temos sim que reagir a isto. Inclusive o asiático que também sofre este preconceito.

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