Apple entrevistou analista de sistemas 14 vezes e não contratou

Folha
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A recompensa no final de um longo processo seletivo numa empresa que é referência não vem para todos.

Após estudar inglês sete meses na Inglaterra, a analista de sistemas Débora Bossois, 30, voltou para o Brasil, em 2011.

Apesar de ter conseguido trabalho em Vitória, mandou o currículo para grandes empresas de tecnologia. “Eu estava com o inglês fresco, e resolvi tentar uma vaga”, diz.

Quatro meses depois, chegava um e-mail da Apple. “Foi ansiedade total. Meu inglês estava afiado, mas falar pelo telefone era diferente”.

Ela foi aprovada na conversa de 30 minutos, e passou para a próxima etapa de entrevistas, onde ficou sabendo que a vaga, para preenchimento urgente, seria ligada à versão em português do Siri, o assistente virtual do iPhone que “fala” com o usuário.

Eles pediam detalhes do mestrado de Bossois, que havia sido em processamento de linguagem natural. “As perguntas eram 90% repetidas”, lembra. A essa bateria de entrevistas, seguiram-se outras.

“Eu não sabia se teria uma resposta imediata, ou se faria entrevista nos EUA. Ficava às escuras, sem noção dos próximos passos, e eles sumiam e apareciam”.

Durante o processo, Bossois chegou a ficar oito meses sem informações. Numa das entrevistas, falou uma segunda vez com o mesmo entrevistador. “Ele pareceu constrangido e disse que provavelmente se tratava de um engano”.

No total, o processo foi de 14 entrevistas, sem contar atrasos e agendamentos, Bossois não foi selecionada para a vaga. Três anos depois, o Siri ainda não fala português. Contatada pela reportagem, a Apple não comenta sobre o assunto.

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