Alimentação afeta a produtividade no trabalho para o bem e para o mal

Folha

Mais da metade dos trabalhadores brasileiros almoçam fora de casa e 42% se sentem indispostos e sonolentos após a refeição.

A maioria dessas pessoas quer mudar esse roteiro: 72% mudariam seus hábitos alimentares para se sentirem mais saudáveis, segundo pesquisa da Alelo, empresa de cartões de benefícios como vale-refeição.

“Os profissionais estão mais conscientes da importância de uma boa alimentação, mas ainda há deficiência na oferta de comida saudável e pouco incentivo das organizações”, afirma André Turquetto, diretor de marketing e produtos da Alelo.

A solução pode estar em casa. Tomar um bom café da manhã antes de sair para o trabalho é o primeiro exemplo de como a comida pode melhorar, além da saúde, o desempenho profissional.

“Começar a trabalhar com o estômago vazio diminui a concentração e afeta a produtividade. Além disso, leva a exageros no almoço que, muitas vezes, resultam em incômodo gastrointestinal à tarde”, explica a nutricionista paulista Lara Natacci.

Satisfazer a saciedade com uma refeição mais volumosa e, muitas vezes, gordurosa, aumenta a circulação de sangue no abdome, causando cansaço. Para rebater, muita gente exagera no cafezinho.

Até certo ponto, o café ajuda a manter o estado de alerta. Mas, segundo Natacci, a partir da quinta xícara ocorre um aumento excessivo de cortisol, hormônio relacionado ao estresse. Com o organismo preparado para “lutar ou fugir”, fica difícil pensar com clareza e tomar decisões.

Bolacha e biscoito

O estresse e a falta de energia também aumentam a vontade de comer doces e carboidratos simples -como açúcar e farinha refinados, encontrados em biscoitos recheados, balas e brigadeiros, por exemplo.

Esse tipo de lanchinho, um clássico da alimentação do trabalho, faz muito mais do que (só) engordar. “São alimentos que provocam glicação, uma reação dos carboidratos com as proteínas que pode levar ao diabetes e prejudicar o pâncreas e a retina”, diz Carlos Reginato, médico especialista em nutroendocrinologia.

O açúcar rapidamente absorvido pelo organismo também causa um pico de glicose no sangue, o que num primeiro momento aumenta a sensação de bem-estar. Mas, em seguida, causa uma queda abrupta no nível de açúcar na corrente sanguínea.

Resultado: a pessoa se sente sem energia e não saciada. A tendência é querer mais açúcar e entrar num ciclo engordativo e pouco produtivo de altos e baixos de energia.

Uma estratégia para manter o pique sem perder o controle é fracionar as refeições, fazendo lanches planejados a cada quatro horas, recomenda a nutricionista funcional Raquel Pimentel.

Na lancheira

A dica é sair de casa com opções de carboidratos com baixo índice glicêmico, que são absorvidos mais lentamente pelo organismo.

Esses carboidratos são encontrados em alimentos ricos em fibras, como os feitos com farinha integral, as frutas e os legumes. Fontes de proteína (como queijo ou iogurte) também devem entrar nos lanchinhos, segundo os nutricionistas.

Outro conselho é beber muita água, deixando uma garrafa na mesa de trabalho. Fica mais fácil evitar a tentação de tomar refrigerantes (muito açúcar, zero nutrientes), ajuda a manter a saciedade e. desde que seja tomada fora das refeições, facilita a digestão.

Veja abaixo sugestões de nutricionistas para melhorar a alimentação e o desempenho no trabalho.

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