ABC da entrevista: 28 dicas para quem vai fazer o tête-à-tête com a empresa

O Globo

Uma entrevista de emprego é, geralmente, um momento de tensão, que gera expectativas — nem sempre correspondidas. Afinal, o espaço para erros é grande e um pequeno deslize pode custar a vaga. Inspirado pelo “ABC da Entrevista” publicado pelo site americano U.S. News, listamos 28 itens — um para cada letra do alfabeto — aos quais os candidatos devem prestar atenção antes, durante e depois da entrevista para aumentar as suas chances. Clique aqui para ver o infográfico com as 28 dicas.

É que, na verdade, a entrevista de emprego começa bem antes do encontro entre o candidato e o recrutador. A preparação deve envolver bastante pesquisa sobre a companhia contratante, o que inclui alguns passos básicos, mas que muita gente esquece, segundo o U.S. News, como entrar no site da empresa e clicar nos links como “missão”, “história” e “valores”. Procurar se munir do máximo de informações possíveis sobre o segmento da atuação da companhia também é recomendado. E outra coisa é ler, mais de uma vez, a descrição do cargo pretendido e as atribuições das tarefas, pensando nas formas como se encaixa para realizá-las.

— Participar de uma entrevista requer a reflexão prévia dos seus objetivos profissionais, suas competências diferenciadoras e o quanto a empresa e a respectiva vaga contribuem ou não para realizá-los. Tendo clareza sobre esse ponto você amplia suas chances de aproveitar a entrevista para focar nas suas experiências e características que melhor respondem às demandas atuais da empresa e do responsável pela vaga — destaca Claudia Klein, sócia da Argumentare, consultoria especializada em coaching e treinamento.

Fraquezas podem ser percebidas

Aproveitar o momento pré-entrevista para tentar antecipar perguntas e fazer uma reflexão sobre conquistas e derrotas nos empregos anteriores também pode ajudar o candidato a se sair bem.

— Se você faz uma boa preparação, a entrevista ocorre de maneira mais leve e descontraída. Por isso, vale a pena relembrar fatos e situações marcantes pelas quais passou no último trabalho para poder dar exemplos quando forem pedidos — afirma Lisângela Melo, gerente nacional de Recrutamento e Seleção do ManpowerGroup.

E, quando o assunto passa dos pontos fortes para as fraquezas e dificuldades, a entrevista costuma entrar em terreno mais delicado. Para os especialistas, o melhor é sempre ser sincero.

— Porque a mentira aparece, então o melhor é falar a verdade. Porém, hoje, se o recrutador for bom e dominar as técnicas de entrevista, ele consegue perceber as dificuldades do candidato sem ter necessidade de fazer perguntas diretas. E o mesmo vale para habilidades como liderança e proatividade, entre outras — diz Lisângela.

Itens de ordem prática também devem ser levados em consideração antes da entrevista. A recomendação é que o candidato se informe sobre o local onde fará a entrevista e, se necessário, vá até lá nos dias anteriores, para calcular quanto tempo vai demorar.

— Chegar no horário que foi agendado é fundamental. Atrasos podem acontecer, mas, nesses casos, é essencial que o candidato ligue avisando — afirma Luciana Tegon, sócia diretora da Consultoria Tegon, especializada em processos de recrutamento e seleção.

Luciana diz, também, que a preocupação com a aparência é importante, especialmente para as mulheres, que têm mais chances de errar.

— As mulheres devem evitar roupas curtas, decotadas, bijuterias grandes e perfumes muito fortes. Já os homens devem apostar no terno ou na calça com camisa social, dependendo do cargo — diz ela, acrescentando que, mesmo se a vaga for em uma empresa informal, é melhor pecar pelo excesso de arrumação. — Um traje mais discreto e formal é sempre a melhor opção, mesmo para empresas mais descoladas.

Porém, alerta, Lisângela Melo, gerente nacional de Recrutamento e Seleção do ManpowerGroup, o interessado na vaga deve avaliar se vai se adaptar à cultura de uma empresa formal:

— Uma pessoa extremamente formal pode não se adaptar a uma companhia com a cultura de uma empresa descontraída.

O aperto de mão inicial também dá pistas sobre o candidato, assim como o nível de contato visual que mantém com o recrutador.

— Todo o conjunto de posturas é avaliado. Um candidato que não faz contato visual pode demonstrar um comportamento furtivo — acredita Luciana Tegon.

Redes sociais exigem cautela do candidato

Além disso, não são apenas os comportamentos durante a entrevista que podem falar sobre o potencial funcionário. Cada vez mais as redes sociais também são usadas pelas empresas para conhecer mais sobre o perfil do candidato.

— Isso inclui não apenas as fotos que são postadas, mas os grupos de discussão aos quais o candidato pertence e os tipos de assunto que costuma postar — afirma Luís Fernando Martins, da Page Personnel.

A discrição nas redes sociais também deve fazer parte da rotina daqueles profissionais que estão buscando uma oportunidade, mas continuam empregados.

— Se um profissional faz check-in em uma empresa de recrutamento e seleção, por exemplo, poderá ser descoberto pelo chefe ou mesmo por um colega de trabalho — diz Martins.

Cobrar um retorno após a entrevista não é prática malvista, desde que seja respeitado o prazo estabelecido pela empresa.

— Durante o processo seletivo, é de bom tom que o candidato questione a empresa sobre a expectativa de feedback. Caso, depois desse prazo, a companhia não tenha entrado em contato, o candidato pode enviar um e-mail sucinto — ressalta o gerente da Page Personnel.

Hábito mais difundido nos Estados Unidos, o e-mail de agradecimento é bem-visto também no Brasil, de acordo com Luciana Tegon.

— Isso demonstra que o candidato tem realmente interesse no cargo.

O que não pode mesmo, segundo os especialistas, é mentir.

— Ser demitido não é demérito algum, mas tem que ser sincero e explicar o que aconteceu. Geralmente, os recrutadores não deixam de avaliar ninguém só por demissão — ressalta a sócia-diretora da Tegon.

Recrutadores têm perfis diferentes

Outro ponto é que o participante de uma entrevista deve ter jogo de cintura para saber lidar com recrutadores, que podem atuar de formas bastante distintas.

— Há aqueles que fazem perguntas para testar mesmo, enquanto outros fazem entrevistas mais baseadas nas competências. Por isso, é importante que o candidato seja sempre elegante ao falar de seus empregos e chefes anteriores. Até porque qualquer mentira pode ser checada. E costuma ser — diz Luciana.

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