20 coisas que os cientistas já descobriram sobre a preguiça

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Quem nunca teve preguiça, que atire a primeira pedra. Comum a todos os seres humanos, a sensação desperta interesse no mundo da ciência. Diversos estudos já abordaram o tema, tratando da cura a possíveis benefícios gerados pela preguiça. A seguir, reunimos alguns desses trabalhos.

Definição

Preguiça é coisa antiga. Já em 1913, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Candido de Figueiredo, explicava assim o termo: “Morosidade, negligência. Vontade de não trabalhar, desamor ao trabalho. Pachorra. Moleza, indolência”.

Remédio

Em abril de 1905, a revista Scientific American noticiava a descoberta de uma substância capaz de combater a preguiça. Criado pelo médico alemão Wolfgang Weichardt, o remédio foi desenvolvido a partir de experiências com animais.

De acordo com a publicação, uma senhora capaz de carregar um pacote de dois quilos por 1,5 quilômetro conseguia aguentá-lo por cerca de 2,5 quilômetros após tomar quatro doses da substância. Porém, não há registros posteriores desse suposto remédio contra a preguiça.

Pecado

Como se sabe, a preguiça é um dos sete pecados capitais. De acordo com o professor de filosofia da Universidade de Brasília Agnaldo Portugal, foi Gregório o Grande quem pôs a preguiça nessa lista. Gregório foi papa da Igreja Católica no século VI. Ele se inspirou nas Epístolas de São Paulo para determinar quais seriam os pecados capitais, que são: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, inveja e preguiça.

Newton

“Todo corpo persiste em seu estado de repouso, ou de movimento retilíneo uniforme, a menos que seja compelido a modificar esse estado pela ação de forças impressas sobre ele”.

Divulgada em 1687, a 1ª Lei de Newton aborda o princípio da inércia. Na prática, ela não prova que até a natureza, em determinadas circunstâncias, é um pouco preguiçosa.

Ócio

“Trabalhar demais é tão perigoso quanto fumar”.

A frase é de Andrew Smart, neurocientista da universidade de Nova York.

No livro “Auto-pilot: the Art and Science of Doing Nothing” (“Piloto automático: a arte e a ciência de não fazer nada”, em tradução livre), ele defende (com base em estudos neurológicos) que longas pausas são cruciais para que o cérebro estabeleça conexões que podem levar ao autoconhecimento e à criatividade.

Essa tese também é defendida pelo sociólogo italiano Domenico de Masi. Em 1995, ele publicou o livro O Ócio Criativo, no qual afirma que a redução da carga de trabalho é um caminho para uma vida mais equilibrada e feliz.

Genético

Acredite: os genes da preguiça existem – pelo menos, em ratos. A informação foi comprovada por testes realizados na universidade americana do Missouri.

Nos experimentos, os cientistas colocaram os animais em jaulas com rodas de correr e mediram quanto tempo eles se exercitavam durante um período de seis dias. Então, eles cruzaram entre si os ratos que mais se exercitavam por 10 gerações e fizeram o mesmo entre aqueles que eram mais preguiçosos.

No fim, os pesquisadores constataram 36 genes que interferiam diretamente na motivação dos roedores para atividade física. O próximo passo do trabalho é saber como cada um dos genes influencia na vontade dos ratos de realizar exercícios físicos.

Natural

A preguiça é uma tendência natural do ser humano, que o ajuda a poupar energia. Quem afirma é Christopher Hsee, cientista da universidade de Chicago. Ele comandou um experimento com 98 estudantes que comprovou sua tese.

No experimento, os estudantes deveriam preencher um questionário, esperar 15 minutos e preencher outro. Cumprida a tarefa, o material devia ser entregue a um dos fiscais presente na sala. Um deles ficava próximo aos alunos. Já o outro, ficava a alguns metros de distância dos participantes.

No fim, 68% dos voluntários entregaram os papéis ao fiscal mais próximo.

Desculpinhas

Um levantamento feito pela empresa de convênios de saúde do Reino Unido Benenden Health descobriu que 60% dos chefes de lá não acreditam quando seus funcionários ligam dizendo que estão doentes e não vão poder ir trabalhar. E outros 25% questionam quando a voz do empregado ausente parece saudável demais.

De acordo com a pesquisa, virose, cólicas e ânsia de vômito estão entre os motivos para falta com maior chance de serem aceitos pelos chefes britânicos.

Espreguiçada

O ato de se espreguiçar é comum entre vários animais – inclusive os humanos. Ele serve para descontrair os músculos, já que eles se mantêm tensos mesmo quando estamos dormindo. De acordo com o professor de educação física da Universidade de São Paulo Carlos Ugrinowipsch, se espreguiçar é uma prática benéfica para o nosso organismo.

Saudável

Dar uma boa espreguiçada matinal pode evitar lesões. Quem informa é a fisioterapeuta Renata Pudo. Segundo ela, é saudável reservar 10 minutos da manhã para o ritual. “Se a gente sair correndo, o corpo não acompanha. A nossa mente começa a funcionar muito rápido, mas o corpo tem outro timing”, afirma ela.

Chineses

A universidade australiana de New South Wales realizou um levantamento com a comunidade de imigrante chineses no país. E a preguiça apareceu entre os principais motivos apontados pelos entrevistados para migrarem para Austrália.

Segundo eles, a percepção de que os australianos tinham um estilo de vida mais sereno foi decisiva na escolha do país como destino. De acordo com os pesquisadores, os imigrantes inclusive pretendiam incorporar tal estilo a suas próprias vidas.

Café

Você acha que café é bom para acabar com a preguiça? Pois fique sabendo que não é. Uma experiência realizada pela universidade americana da Colúmbia Britânica comprovou isso.

No experimento, 20 ratos foram colocado numa jaula com buracos onde havia açúcar. Nela, os animais mais esforçados procuravam o alimento nos buracos de mais difícil acesso, pois eles continham mais açúcar. Já os ratos mais preguiçosos se contentavam em obter menos açúcar, buscando o alimento nos buracos mais fáceis.

Num determinado momento, todos os ratos receberam uma dose de café. Aí, a coisa desandou. Após o cafezinho, os ratos preguiçosos continuaram preguiçosos e os ratos esforçados se tornaram preguiçosos também. Os cientistas não souberam explicar a razão do fenômeno.

Dor

Vinte homens passaram 56 dias deitados para um experimento realizado pelo médico Daniel Belavy. O trabalho deu origem a um artigo publicado na revista de ciência Spine.

De acordo com Belavy, a inatividade prolongada dos participantes gerou o encolhimento dos músculos localizados nas costas dos participantes. Esse encolhimento fez com que os homens passassem a sentir dores nessa parte do corpo.

Televisão

Ver TV demais quando é pequena pode fazer com que uma criança fique mais preguiçosa quando tiver quatro anos. A constatação é de Linda Pagani, pesquisadora da universidade canadense de Montreal.

Num experimento, ela perguntou aos pais de 1,3 mil crianças de dois anos e meio quanto tempo os pequenos passavam em frente à televisão. Quando as crianças estavam com quatro anos, Linda repetiu essa e fez outras perguntas.

No fim, ela constatou que aqueles que viam mais TV quando menores faziam menos exercícios físicos, comiam mal e se saíam pior nas aulas de matemática do que os que não passavam tanto tempo em frente à televisão.

Comida

Cientistas da universidade da Califórnia realizaram um experimento com 32 ratinhos. Metade deles foi submetida a uma dieta com comida industrialmente processada e a outra metade, a uma alimentação mais saudável.

Em testes com os roedores, os pesquisadores verificaram que aqueles que se alimentavam mal tinham desempenho pior numa tarefa em que obtinham água e comida após pressionarem um botão.

Para os cientistas, isso é um sinal de que a má alimentação torna o corpo preguiçoso e não o inverso. Segundo eles, a tese também vale para humanos.

Elas

Um estudo publicado pela revista de ciência The Lancet reuniu dados sobre a frequência com que cidadãos de 122 países realizavam atividades físicas. No fim, os pesquisadores constataram que cerca de 34% das mulheres não se exercitam – contra 28% dos homens.

No estudo, se exercitar significava fazer menos de 30 minutos de atividade física moderada cinco vezes por a cada sete dias ou pelo menos 20 minutos de malhação pesada três vezes por semana. De acordo com dados o levantamento, 14% das pessoas não fazem isso no Brasil.

Olhos

Conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, a ambliopia é um tipo de deficiência visual ligado a problemas na região cerebral responsável pela visão. Em geral, a ambliopia ataca crianças – sendo a principal razão para os casos de baixa visão entre elas. Pelos cálculos do Centro Brasileiro da Visão, cerca de 2% da população sofrem hoje com o problema.

DNA

Cientistas americanos do Instituto Nacional de Saúde Mental treinaram quatro macacos para liberar uma alavanca em função de um estímulo visual. Conforme repetiam a tarefa com sucesso, o estímulo ia aumentando até que uma recompensa era dada em troca do esforço.

Durante os experimentos, uma pequena faixa de DNA foi injetada no cérebro dos macacos. Isso desativou um gene ligado à geração da sensação de recompensa. Como consequência, os animais passaram a trabalhar mais e melhor durante toda a experiência e não apenas quando a recompensa estava próxima, como acontecia anteriormente.

Com a descoberta, os pesquisadores pretendem avançar nos estudos relacionados à depressão e outros distúrbios de humor em humanos. Essas doenças reduzem a sensação de recompensa gerada pela realização de tarefas nas pessoas. Agora, os cientistas querem entender melhor como funcionam esses mecanismos cerebrais.

Pornografia

Sessenta e quatro homens que consomem pornografia com frequência participaram de um experimento realizado pelo Instituto Max Planck, da Alemanha. Durante a experiência, os cientistas monitoraram o cérebro dos voluntários enquanto eles viam fotos pornográficas e imagens sem conotação sexual.

No fim, os pesquisadores constataram que o corpo estriado (área do cérebro ligada à sensação de recompensa) era menor nos consumidores mais vorazes de pornografia. Em função disso, eles eram mais preguiçosos – inclusive para atividades de cunho sexual. Porém, não se sabe se isso é uma consequência ou um fator para o consumo exagerado de pornografia.

Bahia

“O mito da preguiça baiana” é o título da tese de doutorado da antropóloga Elisete Zanlorenzi, apresentada na Universidade de São Paulo em 1998. Nela, a pesquisadora reúne alguns números interessantes sobre o assunto.

Durante o carnaval de 1994, a filial baiana de uma empresa registrou menos faltas de funcionários que a filial paulista. Além disso, no fim da década de 1980, cerca de 85% das pessoas trabalhavam entre 38 e 48 horas por semana na região metropolitana de Salvador.

Segundo Elisete, o racismo estaria por trás da preguiça associada aos baianos. Ela afirma que a crença de que os negros eram preguiçosos era comum entre a elite branca baiana no tempo da escravidão.

As migrações para o sudeste combinadas a uma série de fatores fizeram com que o injusto mito fosse associado aos baianos e se espalhasse pelo país.

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