11 filmes que mostram o lado sombrio do mundo do trabalho

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O mundo do trabalho pode ser muito estranho e contraditório – e os cineastas sabem disso. Por isso, não faltam filmes que abordam diversos aspectos sombrios da vida profissional.

Da competição extrema em processos seletivos ao trauma do desemprego, os longas que você conhecerá a seguir questionam a noção de ética, justiça e equilíbrio emocional nos ambientes corporativos.

Em alguns casos, a crítica exige estômago forte do espectador, como em “Um dia de fúria” (foto), clássico protagonizado por Michael Douglas.

Navegue pelas fotos para conhecer os títulos reunidos por nós, com a ajuda de André Barcaui, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e Ana Cristina Limongi-França, professora da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).

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[slide title=”Amor sem escalas (‘Up in the air’ – 2009)” img_url=”http://assets3.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545990/size_810_16_9_amor_sem_escalas.jpg” link=””]Ryan (George Clooney) tem uma profissão peculiar: ele viaja constantemente pelos Estados Unidos dando notícias de demissão a funcionários dos seus clientes. Tudo parece confortável para ele, até que a chegada de uma nova colega à firma muda suas expectativas sobre a vida.
Por que é sombrio? De acordo com André Barcaui, professor da FGV, o filme questiona sobre os métodos de demissão adotados, bem como suas consequências para o emocional dos envolvidos. “Fica claro como esse processo pode se tornar extremamente frio”, afirma.[/slide]
[slide title=”Tempos Modernos (‘Modern Times’ – 1936)” img_url=”http://assets2.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/546004/size_810_16_9_tempos_modernos.png” link=””]O clássico mostra a rotina exaustiva e enlouquecedora de um operário numa linha de montagem. Em cena célebre, o mesmo persegue uma mulher por achar que os botões de sua roupa são os parafusos que ele precisa apertar.
Por que é sombrio? O filme apareceu como crítica à organização do trabalho nas indústrias dos anos 1930. Mas sua visão ácida sobre os efeitos da tecnologia sobre o indivíduo continua atual. “Hoje, as máquinas são usadas exaustivamente no trabalho e levam a uma obsessão coletiva pela tecnologia e até a lesões pelo uso intenso do teclado e do mouse, por exemplo”, diz Limongi-França.[/slide]
[slide title=”O corte (‘Le couperet’ – 2005)” img_url=”http://assets1.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545992/size_810_16_9_o_corte.jpg” link=””]O engenheiro Bruno (José Garcia) é demitido depois que a indústria onde trabalhava adere à terceirização. Dois anos mais tarde, e ainda desempregado, ele decide tomar medidas drásticas para eliminar a concorrência.
Por que é sombrio? Segundo Barcaui, o filme explora os efeitos psicológicos do desemprego numa sociedade obcecada pelo trabalho. “Por conta da crença generalizada de que a profissão é a raiz de todas as realizações, o protagonista perde sua identidade e sua dignidade quando deixa de ter um emprego”, explica o professor da FGV.[/slide]
[slide title=”O sucesso a qualquer preço (‘Glengarry Glen Ross’ – 1992)” img_url=”http://assets2.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/546002/size_810_16_9_sucesso.jpg” link=””]O filme apresenta quatro vendedores submetidos a um método radical de “motivação” na empresa onde trabalham. Ao final de uma semana de treinamento intensivo, todos serão demitidos – exceto os dois que fecharem mais negócios.
Por que é sombrio? O drama explora a dubiedade dos programas de motivação nas empresas. De acordo com Barcaui, o filme ainda mostra como a competição interna pode chegar às últimas consequências, sobretudo num clima de recessão econômica.[/slide]
[slide title=”Um dia de fúria (‘Falling Down’ – 1993)” img_url=”http://assets1.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/546011/size_810_16_9_um_dia_de_furia.jpg” link=””]Em meio à crise econômica do início da década de 1990, William (Michael Douglas) é dispensado. Furioso com a falta de perspectivas profissionais e o acúmulo de problemas familiares, o protagonista entra numa espiral de agressividade que o acompanha até as últimas consequências.
Por que é sombrio? Limongi-França explica que o filme aborda as consequências graves da falta de inteligência emocional. O drama do estressado William é um alerta sobre os riscos do acúmulo de conflitos no trabalho e na vida pessoal. [/slide]
[slide title=”O que você faria? (‘El método’ – 2005)” img_url=”http://assets1.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545997/size_810_16_9_o_que_voce_faria.jpg” link=””]Todo o filme se passa numa sala de reunião em que ocorre um processo seletivo. Em cena, há sete candidatos submetidos a uma série de testes psicológicos que vão se tornando cada vez mais sinistros. Entre os participantes está infiltrado um representante do RH da empresa contratante.
Por que é sombrio? De acordo com Barcaui, o filme faz uma caricatura dos exigentes processos seletivos promovidos por algumas empresas. A competitividade é levada a tal ponto que os participantes esquecem os limites da ética e até do bom senso. [/slide]
[slide title=”Relatos selvagens (‘Relatos Salvajes’ – 2014)” img_url=”http://assets0.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/546000/size_810_16_9_relatos_selvagens.jpg” link=””] A comédia conta seis histórias independentes, com um único ponto em comum: personagens aparentemente normais que são levadas a uma espécie de “loucura” temporária pelo absurdo do cotidiano.
Por que é sombrio? Limongi-França destaca um trecho específico. Multado de forma injusta, Simón (Ricardo Darín) reage de forma violenta à frieza com que é recebido por atendentes da agência de trânsito. “É mostrado um tipo de trabalho mecânico, inexpressivo, feito atrás de um vidro, que se tornou comum hoje. Essa desumanização produz clientes enraivecidos e profissionais apáticos, alienados do seu próprio papel na sociedade”. [/slide]
[slide title=”Wall Street: Poder e Cobiça (‘Wall Street’ – 1987)” img_url=”http://assets2.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/546014/size_810_16_9_wall_street.png” link=””] Para subir na carreira, o jovem Bud (Charlie Sheen) faz pactos ilegais e desenvolve uma relação pouco saudável com seu chefe Gekko (Michael Douglas).
Por que é sombrio? O espectador é exposto ao “lado B” de diversas situações corporativas, diz André Barcaui, professor da FGV. “Além de retratar a agressividade do mundo nos negócios, ele também mostra negociações por trás dos panos, práticas ilegais, entre outros aspectos obscuros da realidade de algumas empresas”, afirma.[/slide]
[slide title=”Perfume de mulher (‘Scent of a woman’ – 1992)” img_url=”http://assets0.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545998/size_810_16_9_perfume_de_mulher.jpg” link=””] O drama conta a história de Charlie (Chris O’Donnell), um jovem estudante que é encarregado de cuidar do mal-humorado Slade (Al Pacino), ex-militar aposentado que perdeu a visão na guerra.
Por que é sombrio? A relação com o mundo do trabalho é sutil, mas existe. Segundo Limongi-França, um dos temas do filme é o drama dos aposentados, que procuram desesperadamente preencher o seu cotidiano com algo significativo. “Também são abordadas as marcas que o trabalho deixa na vida de uma pessoa, desde as lesões físicas até as morais”, afirma a professora da FEA-USP.[/slide]
[slide title=”O informante (‘The insider’ – 1999)” img_url=”http://assets1.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545996/size_810_16_9_o_informante.jpg” link=””]Os segredos de uma indústria de tabaco estão nas mãos de Jeffrey (Russell Crowe), químico atormentado pela vontade de divulgar malefícios trazidos pelo cigarro. O que dificulta sua participação num programa de TV é o termo de confidencialidade que assinou com seus antigos empregadores.
Por que é sombrio? O drama expõe os dilemas éticos de profissionais ao lidarem com os interesses privados de seus patrões – sobretudo quando eles contrariam o bem público. “O espectador é provocado a pensar se o caminho que está seguindo no trabalho está mesmo de acordo com os seus princípios e valores”, afirma Barcaui.[/slide]
[slide title=”Enron: Os mais espertos da sala (‘Enron: The smartest guys in the room’ – 2005)” img_url=”http://assets2.exame.abril.com.br/assets/images/2015/9/545991/size_810_16_9_enron.jpg” link=””] O documentário conta a trajetória da extinta Enron, empresa do setor de energia que marcou a história dos negócios após ser envolvida em diversos casos de corrupção.
Por que é sombrio? O longa mostra os mecanismos da corrupção na iniciativa privada – um tema de extrema atualidade no Brasil. “O caso da Enron foi muito impactante, porque desde então começou a se discutir muito mais a importância da ética profissional e da governança corporativa”, comenta Barcaui. [/slide]
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